Fui esfomeada na Terra
Da fome chamada amor,
Andei como que na guerra
Procurando seu teor.
Amava só por amar
Aquilo que nada era
Pedrinhas que eram do mar
Relva fresca primavera.
Amei os bichos ferozes,
Amei simples joaninhas,
Amei o timbre de vozes
De todas as andorinhas.
Amei bichos, amei gentes,
Amei de qualquer maneira
E meus amores indigentes
Não tinham eira nem beira
Numa vida atribulada
Com a fome me debatia
Até que fui ajudada
Pela fome do que lia.
Lia e não me cansava
De ler livros sobre livros
E minh’alma se alegrava
Com sentimentos cativos.
Cativos duma prisão
Que me ensinava o Amor
Que amar sem saber perdão
Não tinha o menor valor.
O livro que me ensinou
E deu divino conselho
Foi o que mais nos amou
Amigo livro Evangelho.
Nele dei os primeiros passos,
Saber dar sem receber,
Com esse livro nos braços
Tenho tudo p’ra aprender.
Assim a fome foi outra,
A fome de perdoar;
A que tivera era pouca
Para enfim saber amar.
Estrela
Estrela
Lousã, 16/04/2011
Gostei
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