sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A morte não existe

A vida sobrepõe-se à morte e domina todas as paisagens

Em hipótese alguma morrer é parar, finar, consumir-se... A vida sobrepõe-se à morte e domina todas as paisagens. Por isso é que o Amor, emanação do Excelso Pai, acende a claridade da alegria e dirige os que tombaram, após reerguê-los e ampará-los longe dos limites das sombras, das dores, das paixões alucinadas...
Em nome desse amor, não se interrompem os programas do afeto, nem se arrebentam os liames da antipatia necessitada de destruição; antes, aumentam os recursos do intercâmbio e se multiplicam as possibilidades de ventura, surgindo e ressurgindo ensejos de construir a perene felicidade, que a todos espera, na dependência do tempo empreendido no burilamento pessoal, intransferível.
O vero Cristianismo faz imensurável e superlativa falta à Humanidade!
As manifestações religiosas que grassam, comprazem-se em assegurar a vida física quase sempre em detrimento das realidades espirituais. O Homem, em consequência disso, adia meditações em torno do problema da morte, como se fora uma realidade remota, sempre distante e, invariavelmente, deixa-se colher pelo fenómeno da morte sem o necessário preparo espiritual para a jornada na direção da realidade.
Quando todos compreenderem que a morte não existe, não existirá, também, o dia de finados que atualmente traduz-se em intensificação de flores e velas, que logo se transformarão em lixo e que absolutamente nada significam para quem já ultrapassou a aduana da vida física. Necessário se faz amadurecer as cogitações acerca das caducas "tradições" já superadas, e sem razão de ser, em pleno século da luz.
Diante de um ser amado que partiu da Terra, na hora em que o Amor arde no coração, vêm as interrogações sobre a grande viagem... Essas interrogações afloram dolorosas, pungentes, desesperadoras... A mente faz um retrocesso relacionando as oportunidades de convivência física e emocional com aqueles que se foram; arrependimentos tardios e lancinantes evocações brotam nas mentes em desalinho, desejosas de refazer, de ter as oportunidades que não voltarão, a fim de retificarem enganos e desconcertos. O imenso silêncio que impera, símbolo significativo da magnitude do túmulo, desafia a frieza do materialismo e a empáfia dos partidários da existência única, que se deixam, então, vencer pelo peso do indesejado acontecimento.
Nesses momentos, ecoam sem vida as preces memorizadas e monotamente repetidas; soam sem tónica de paz, ou esperanças, as palavras "sacramentais" fúnebres e descoloridas como o passar das eras que as articulam.
Nesses momentos, porém, quando se supõe que o Amor desfaleceu e a Vida se extinguiu, ou somente poderão reaparecer em estados limites, impostos pelas determinações dos dogmas humanos, ergue-se, triunfante, além das sombras, a madrugada da vida, facultando ao ser ressurgir dos escombros, vestido pela indumentária eterna que elaborou na Terra.
O Espírito triunfa do corpo e recomeça o caminho momentaneamente interrompido. Do silêncio dos lábios e da acústica fechada irrompem, além do mundo físico, novas modelações e o Amor reaparece glorioso, em gaudio e vitória, entretecendo novas esperanças e construindo imprevisíveis realizações.
Todos embarcaremos no veículo da morte, mas o desembarque será na plataforma da Vida Maior.
Não precisamos resvalar no despenhadeiro da desesperação ou enviscar-nos no emaranhado da tristeza pelos seres queridos, temporariamente arrebatados pelo decesso corporal. Eles não morreram!...Simplesmente atravessaram a grande aduana, que também atravessaremos.
Confiemos em Deus e procuremos trabalhar, orar, servir, perdoar e esperar!
O amanhã é o nosso dia, que hoje começa, pedindo-nos seriedade e abnegação na conquista de nossa felicidade. Por isso Jesus afiançou: "Em verdade, em verdade vos digo, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte."



1. Párias em Redenção. Livro terceiro. Capítulo 5º. (Citado In: Jornal Espírita (Viseu). nº348, Novembro 2012)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

   Fernando Pessoa
Navegar





Navega, descobre tesouros,
mas não os tires do fundo do mar,
o lugar deles é lá.

Admira a Lua,

sonha com ela,
mas não queiras trazê-la para Terra.

Goza a luz do Sol,

deixa-te acariciar por ele.
O calor é para todos.

Sonha com as estrelas,

apenas sonha,
elas só podem brilhar no céu.

Não tentes deter o vento,

ele precisa correr por toda a parte,
ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.

As lágrimas?

Não as seques,
elas precisam correr na minha, na tua, em todas as faces.

O sorriso!

Esse deves segurar,
não o deixes ir embora, agarra-o!

Quem amas?

Guarda dentro de um porta jóias, tranca, perde a chave!
Quem amas é a maior jóia que possuis, a mais valiosa.

Não importa se a estação do ano muda,

se o século vira, conserva a vontade de viver,
não se chega a parte alguma sem ela.

Abre todas as janelas que encontrares e as portas também.

Persegue o sonho, mas não o deixes viver sozinho.
Alimenta a tua alma com amor, cura as tuas feridas com carinho.

Descobre-te todos os dias,

deixa-te levar pelas tuas vontades,
mas não enlouqueças por elas.

Procura!

Procura sempre o fim de uma história,
seja ela qual for.

Dá um sorriso àqueles que esqueceram como se faz isso.

Olha para o lado, há alguém que precisa de ti.
Abastece o teu coração de fé, não a percas nunca.

Mergulha de cabeça nos teus desejos e satisfá-los.

Agoniza de dor por um amigo,
só sairás dessa agonia se conseguires tirá-lo também.

Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura.

Arrepende-te, volta atrás,
pede perdão!

Não te acostumes com o que não te faz feliz,

revolta-te quando julgares necessário.
Enche o teu coração de esperança, mas não deixes que ele se afogue nela.

Se achares que precisas de voltar atrás, volta!

Se perceberes que precisas seguir, segue!

Se estiver tudo errado, começa novamente.

Se estiver tudo certo, continua.

Se sentires saudades, mata-as.

Se perderes um amor, não te percas!
Se o achares, segura-o!

Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.

"O mais é nada".

sábado, 16 de junho de 2012

Oração


A oração é a emanação do pensamento bem direcionado e rico de conteúdos vibratórios, que se expande até sincronizar com as ondas equivalentes, assim estabelecendo o intercâmbio entre a criatura e o Criador.
Não apenas dilui as energias deletérias, como renova as forças morais do ser, saturando-o com vibrações superiores e de  qualidade poderosa, que alteram as paisagens mentais, emocionais e orgânicas por subtis processos de modificação do campo em que o mesmo se encontra.
Certamente não modifica as leis estabelecidas; no entanto, contribui com vigor e inspiração para que sejam entendidas e aceites em clima de superior alegria e coragem.
Também proporciona o descortino da realidade existencial e dos seus elevados significados psicológicos, que têm carater educativo, preparando cada criatura para a perfeita identificação com o SI, mediante a superação do EGO.
Todo e qualquer pedido feito através da prece é conseguido, porque o ato de orar já constitui uma expressão de humildade perante a vida e um despertar da consciência para a compreensão dos objectivos a que se deve entregar. 'É certo que se não refere o Apóstolo à doação gratuita, por parte da Divindade, de tudo aquilo que a insensatez busque, em astuciosa conduta de ludibriar os Códigos Soberanos.
Sendo o ser humano responsável pelos seus actos, enfrenta-os sempre como efeitos que o esperam pelo caminho por onde segue. Sustentando-se na oração, melhor direcionamento encontra para os passos, mais segurança adquire para vencer os obstáculos, mais resistência consegue para superar-se, equipando-se de alegria e de vigor para não desanimar.
A prece faculta uma imediata mudança de comportamento, em razão das energias que a constituem, acalmando interiormente à luta de auto-crescimento. Quando alguém resolve pedir, liberta-se dos grilhões do orgulho e abre-se, recetivo, ao auxílio, tornando-se maleável à renovação, à conquista de outros valores de que necessita.(...)

FRANCO, Divaldo Pereira. Joanna de Ângelis - Jesus e o Evangelho - À luz da psicologia profunda. (p.220-221)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Há Espíritos? (II)

continuação de: Há Espíritos (I)

Como a doutrina da localização das almas não podia conciliar-se com os dados da Ciência, outra doutrina mais lógica atribuiu-lhes o domínio, não de um lugar determinado e circunscrito, mas do espaço universal; há todo um mundo invisível, no meio do qual vivemos, que nos rodeia e toca constantemente. Haverá nisto alguma impossibilidade, alguma coisa que repugne à razão? De maneira nenhuma; pelo contrário, tudo nos diz que só pode ser assim. Mas então, em que é que se tornam as penas e recompensas futuras, se lhes tiraram os lugares especiais onde se efectivavam? Relativamente às penas e recompensas notai que a incredulidade é geralmente provocada pelo facto destas mesmas penas e recompensas serem apresentadas numas condições inadmissíveis.
Em vez disso, dizei que as almas extraiem delas próprias a felicidade ou a infelicidade, que o seu destino está subordinado à sua condição moral; que a reunião de almas simpáticas e boas, é uma fonte de felicidade e que, conforme o seu grau de depuração, penetram e entrevêem coisas que não são vistas pelas almas grosseiras - e toda a gente vai compreender sem dificuldade. Dizei mais: que as almas não atingem o supremo grau, a não ser pelos esforços que façam para se melhorarem e só depois de passarem por uma série  de provas que servem para a sua depuração; que os anjos são almas que chegaram a esse último grau, que todos podemos atingir se tivermos boa vontade; que os anjos são os mensageiros de Deus encarregados de velar pela execução dos seus desígnios em todo o universo e que se sentem felizes com estas missões gloriosas - e deste modo dareis à sua felicidade um propósito mais útil e atraente do que o da perpétua contemplação, que não seria senão uma perpétua inutilidade. Finalmente dizei, que os demónios são apenas as almas dos maus que ainda não estão depuradas mas que podem ascender, tal como as outras, e isto estará mais de acordo com a justiça e a bondade de Deus, do que a doutrina de seres criados para o mal e perpetuamente devotados ao mal.
Mais uma vez, eis aqui o que pode ser admitido pela mais severa razão e pela mais rigorosa lógica, isto é, pelo bom senso.
Ora, estas almas que povoam o espaço são precisamente aquilo a que se chamam Espíritos. Portanto, os Espíritos são apenas as almas dos homens, despidas do seu invólucro corporal. Se fossem seres à parte, a sua existência seria mais hipotética; mas, se se admitir que há almas, é preciso também admitir que há Espíritos, que são simplesmente as almas. E se se admite que as almas estão em toda a parte, é preciso admitir igualmente que os Espíritos também o estão. Portanto, não se pode negar a existência dos Espíritos, sem se negar a da almas.




Extraído de: KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns. Cap.I. 1ª ed. Algés: Verdade e Luz Editora Espírta, 2010.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Há espíritos? (I)

1. A dúvida sobre a existência dos Espíritos, tem como causa principal a ignorância sobre a sua verdadeira natureza. Geralmente são representados como seres à parte da criação e cuja necessidade não está demonstrada. Muitas pessoas não os conhecem senão pelos contos fantásticos com que foram embaladas na infãncia, mais ou menos como as que só conhecem a história pelos romances. Sem averiguarem se esses contos, despidos dos seus ridículos acessórios, contêm algum fundo de verdade, só se deixam impressionar pelo seu lado absurdo; não se dando ao trabalho de tirarem a casca amarga para descobrirem a amêndoa, rejeitam o todo, como fazem, na religião, aqueles que, chocados com certos abusos, metem tudo na mesma reprovação.
 Seja qual for a ideia que se faça dos Espíritos, acreditar-se neles tem forçosamente por base, a existência de um princípio inteligente fora da matéria; esta crença é incompatível com a negação absoluta deste princípio. Por conseguinte tomamos como ponto de partida a existência, a sobrevivência e a individualidade da alma, de que o Espiritualismo é a demonstração teórica e dogmática, e o Espiritismo a demonstração evidente.

2. Se se admitir a existência da alma e a sua individualidade após a morte, tem que se admitir também:
    1º Que tem uma natureza diferente da do corpo, visto que quando está separada deste deixa de ter as propriedades que lhe são inerentes;
     2º Que tem consciência de si própria, pois é passível de alegria ou de sofrimento; de outra maneira, seria um ser inerte e de nada nos serviria possuí-la.
Admitindo isto, esta alma vai para algum sítio: em que é que se transforma e para onde vai? Segundo a crença vulgar, vai para o céu ou para o inferno; mas onde ficam o céu e o inferno? Antigamente, dizia-se que o céu era em cima e o inferno em baixo. Mas o que são o alto e o baixo no universo, desde que se sabe que a Terra é redonda; que o movimento dos astros faz com que aquilo que é o alto num dado momento passe a ser o baixo doze horas depois; que o espaço é infinito e que o olhar nele mergulha até distâncias incumensuráveis? 
(...)Em que ficou a importância da Terra, mergulhada nesta imensidão? Por que privilégio injustificável é que este impercetível grão de areia que não se distingue nem pelo volume, nem pela posição, nem por qualquer papel especial, seria o único planeta povoado por seres racionais? A razão recusa-se a admitir a inutilidade do infinito e tudo nos diz que estes mundos são habitados. E, se são povoados, então fornecem o seu próprio contingente de seres para o mundo das almas. Mas, mais uma vez, no que é que se tornam estas almas, visto que a astronomia e a geologia destruiram as moradias que lhes estavam destinadas, sobretudo desde que a extremamente racional teoria da pluralidade dos mundos as multiplicou infinitamente?

continua em: Há Espíritos? (II)


Extraído de: KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns. Cap.I. 1ª ed. Algés: Verdade e Luz Editora Espírta, 2010.





domingo, 1 de janeiro de 2012

Ao nascer do Sol...

Toda a treva se dissipa
por mais densa que ela seja,
toda a obra é mais bonita
quando entendida ela seja.

Olha o pouco que vislumbras
pela fresta da janela
e p'lo olhar te deslumbras
o que vês através dela.

É um pedaço de Céu
que saiu da escuridão
e lentamente te deu
da luz do Sol em clarão.

E mais se vai alongando
nesse caminho infinito
é Jesus que está mostrando
como o teu mundo é bonito.

Não olhes o lamaçal
podem escorregar teus pés,
olha o traço inicial
que te ajuda a ser quem és.


És a Obra mais amada
Da Divina Criação,
não te rastejes no nada
segue a tua evolução.


Pede ajuda ao que guarda
teu destino e te vigia;
de te assistir não se afasta
porque és a sua alegria.


Ambos estão evoluindo,
o mais forte dando a mão
ao mais fraco se, caindo,
sofreu qualquer arranhão.


Terás sempre a mão amiga
desse Amigo que acautela
e faz que teu olhar siga
a tal fresta da janela.


É por Ordem Divina
pôr no caminho esse Irmão
que ajuda o ser pequenino
a ser grande em Perfeição.


                                                   Estrela
                                                01/01/2012
(pela janela do meu quarto, onde se vê um pedaço de céu)