quinta-feira, 23 de junho de 2011

'A prece como medicamento para Depressão'

Um dia desses, percorrendo os corredores desta Casa Espírita, encontrei contigo. No curto espaço de tempo em que nossos passos se emparelharam prestei atenção em teu olhar. Um olhar desesperançado, sem brilho, diferente dos olhos daqueles que amam. Parecias vazio de ti mesmo.

Preocupado, passei a te observar mais de perto buscando sondar tua alma. Não precisou muito para que eu descortinasse aquilo que estava por trás de teu pálido sorriso e das atitudes que buscam mascarar a tristeza. Por isso lembrei os Salmos de David e em especial o de número 77 que assim está registado:

Clamei ao Senhor com a minha voz e ele inclinou para mim os ouvidos. No dia da minha angústia busquei ao Senhor; minha mão se estendeu de noite e não cessava, a minha alma recusava ser consolada; sustentaste os meus olhos vigilantes; estou tão perturbado que não posso falar.

Através do Salmo 88, David mais uma vez clamou:

Senhor, Deus de minha salvação, de dia e de noite clamo diante de ti. Chegue à Tua presença minha oração, presta ouvidos ao meu clamor! Pois minha alma está saturada de desgraças (...)
Mas, eu clamo por socorro; de manhã minha oração já está diante de Ti. Senhor, porquê rejeitar-me, esconder-me a tua face? Sou infeliz e enfermo desde criança.

Lembrei os Salmos de David porque, não obstante a beleza de seus versos, existe uma tristeza latente, a mesma tristeza que se percebe naqueles que têm a alma doente. Bem por isso se diz que a primeira notícia que se tem da tristeza da alma foi publicada na Bíblia, mais especificamente nos Salmos de Lamentação de autoria do Rei David. No tempo do rei David não existiam os recursos médicos de hoje e ele atravessava as noites escuras de sua alma orando a Deus em forma de versos que chamamos de salmos.

Sabemos que o crescimento desordenado dessa tristeza que invade nossos sentimentos e emoções produz o câncer da alma ou aquilo que modernamente se nomeia depressão.

Em nossos dias, o depressivo percorre os consultórios médicos e divãs de analistas acreditando que tal medida é suficiente para a cura do câncer da alma. Toma remédios, frequenta o consultório do psicólogo e deixa na mão de tais profissionais toda a responsabilidade de sua cura, sem participar pessoalmente da faxina interior para remoção dos entulhos que impedem a entrada da alegria em seu coração. É tão pouco o que faz por si mesmo que nos leva a concluir que tanto o psiquiatra quanto o psicólogo não podem fazer milagres, pois, o paciente não os ajuda.

Que faz o paciente depressivo para ajudar os profissionais da saúde a lhe devolverem a alegria, além de tomar a medicação prescrita e falar de maneira superficial o que lhe aperta o coração? Digo superficial, pois, a grande maioria deixa de contar aos profissionais que lhe assistem tudo aquilo que vem vivenciando, por vergonha, orgulho e desconhecimento de si, de seu próprio interior.

Para debelar a depressão, sabemos disso, precisamos vencer uma árdua batalha onde se torna muito necessário o concurso da fé e da razão.

A fé e a razão são duas asas através das quais nosso espírito alça vôo ao encontro da verdade. Se observarmos um pássaro veremos que o mesmo jamais poderá levantar vôo com uma asa só. Assim, para livrar-se da depressão, o homem, além da medicação prescrita pelos técnicos da saúde necessita encontrar a verdade e a si mesmo. Usando corretamente a fé e a razão, os homens se descobrem, se perdoam e encontram o sentido para existirem e se realizarem.

A fé é o ato de aquiescer, de concordar, de aceitar algo que não é evidente, que não está expresso com clareza, mas, que é racionalmente aceite. Desse modo, de forma racional podemos aceitar que não temos capacidade para criar aquilo que está na natureza, como um belo por de sol, uma árvore, um animal, o homem. Tendo fé, acreditamos que algo maior nos criou e que esse algo maior é Deus.

A razão e a fé precisam, pois, andar juntas uma vez que aquilo que a razão humana não consegue compreender e que se afigura como mistérios, a fé se infiltra como uma luz que clareia e passa a orientar o homem, esclarecendo-lhe as respostas que não compreendidas racionalmente. Desse modo, não basta crer de maneira cega, pois, é necessário que se compreenda a fé.

A fé, irmão, precisa também ser exercitada. Nos momentos em que a alma fizer a travessia por sua noite escura, se o homem fizer seus apelos a Deus, assim como David fazia seus salmos, com toda a certeza sentirá o conforto Divino produzido pela prece. Não existe medicamento melhor para a alma do que a prece dirigida a Deus, conforme se lê no O Evangelho segundo o Espiritismo , cap. XXVIII, item 77, p. 430:

"A par da medicação ordinária, elaborada pela Ciência, o magnetismo nos dá a conhecer o poder da ação fluídica e o Espiritismo nos revela outra força poderosa na mediunidade curadora e a influência da prece.”

Voltando a David, observamos através da leitura de seus salmos que quando ele superava sua melancolia escrevia salmos de louvor, de ação de graças e lindos hinos celebrando a majestade de Deus, conforme o SALMO 23 de sua autoria que aqui quero te deixar para que repasses àqueles que vivenciam a noite escura da alma ensinando-lhes a buscar o aconchego de Deus:

O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes,
restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome.
Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estás comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.
Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos. Derramais o perfume sobre minha cabeça, e transborda minha taça.
A vossa bondade e misericórdia hã- de seguir-me por todos os dias da minha vida. E habitarei na casa do SENHOR por longos dias.

Com amor,
Irmão Y 

IN: Rede Amigo Espírita: divulgar, instruir e unificar. "A prece como medicamento para a depressão" por  Liudmila Carla Pinheiro, 23 de Junho de 2011.


sábado, 18 de junho de 2011

A Biblia e o Espiritismo: novos horizontes do futuro

Numa pesquisa fácil e rápida através da Internet (tão ao gosto dos tempos que correm...) poderemos retirar as seguintes noções:

Bíblia (do grego βίβλια, plural de βίβλιον, transl. bíblion, "rolo" ou "livro") é o texto religioso de valor sagrado para o Cristianismo, onde a interpretação religiosa do motivo da existência do homem na Terra sob a perspectiva judaica é narrada por humanos (mas considerada pela Igreja como divinamente inspirada).
 (IN: Wikipédia, a enciclopédia livre. http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia. Acedido em 18-06-2001)

As Sagradas Escrituras são o conjunto dos livros escritos por inspiração divina, nos quais Deus se revela a si mesmo e nos dá a conhecer o mistério da sua vontade. Dividem-se em duas grandes secções: Antigo Testamento, que contém a revelação feita por Deus antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo ao mundo; Novo Testamento, que contém a revelação feita directamente por Jesus Cristo e transmitida pelos Apóstolos e outros autores sagrados. 
(In:  http://www.capuchinhos.org/biblia/index.php?title=P%C3%A1gina_principal. Acedido em 18/06/2011)


Os primeiros quatro livros do Novo Testamento são conhecidos como "evangelhos", porque relatam as boas novas (o sentido da palavra "evangelho") sobre Jesus.
(In: http://www.estudosdabiblia.net/bd75.htm . Acedido em 18/06/2011) 

As matérias contidas nos Evangelhos podem ser divididas em 5 partes:
  1. Os actos comuns da vida de Cristo
  2. Os milagres
  3. As profecias
  4. As palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja
  5. O ensino moral
De uma forma geral, podemos dizer que todo o mundo admira a moral evangélica. No entanto, poucos a conhecem a fundo e, menos ainda a compreendem e sabem tirar-lhe as consequências.

E por que razão isso acontece? 

Pelas dificuldades apresentadas na leitura do Evangelho, ininteligível para a maioria.
A forma alegórica, o misticismo intencional da linguagem, fazem com que a maioria o leia mais por desencargo de consciência e por obrigação. 
Assim, os preceitos de moral espalhados no texto, misturados com as narrativas, passam despercebidos.

Ora, a parte moral contida no Evangelho traduz-se num conjunto de regras de conduta que abrangem todas as circunstâncias da vida privada e pública, o princípio de todas as relações sociais. Trata-se, acima de tudo, do caminho infalível para a felicidade a conquistar, uma ponta do véu erguida sobre a vida futura. 

É esta parte que constitui o objecto da obra de Allan Kardec "O Evangelho segundo o Espiritismo". Nesta obra fundamental, reuniram-se todos os trechos que podem formar um código de moral universal, sem distinção de cultos.
Muitas passagens do Evangelho, da Bíblia, e de outros autores sagrados, são muitas vezes ininteligíveis, e muitas vezes parecem absurdas, por falta de uma chave que nos dê o seu verdadeiro sentido. Essa chave está inteirinha no Espiritismo.

O Espiritismo encontra-se por toda a parte, na antiguidade, e em todas as épocas da humanidade. Em tudo encontramos os seus traços, nos escritos, nas crenças e nos monumentos, e é por isso que, se ele abre novos horizontes para o futuro, lança também uma viva luz sobre os mistérios do passado.

Bibliografia:

KARDEC, Allan - O Evangelho segundo o Espiritismo. Lisboa : Centro Espírita "Perdão e Caridade", 1997. Edição Especial.


Sites da Internet referidos ao longo do texto.

sábado, 4 de junho de 2011

Mensagem de Emmanuel

Não raro encontramos, aqui e ali, os irmãos doentes por desajustes emocionais.
Quase sempre não caminham, arrastam-se.
Não dialogam, cultuam a queixa e a lamentação.
E provado está que, na Terra, a tensão emocional da criatura encarnada se dilata com o tempo.
Insegurança, conflito intimo, frustração, tristeza, desanimo, cólera, inconformidade e apreensão, com outros estados negativos da alma, espancam subtilmente o corpo físico, abrindo campo a moléstias de etiologia obscura, à força de se repetirem constantemente, dilapidando o cosmo orgânico.

Se consegues aceitar a existência de Deus e a prática salutar dessa ou daquela religião em que mais te reconfortes, preserva-te contra semelhante desequilíbrio.

Começa aceitando a própria vida tal qual é, procurando melhorá-la com paciência.

Aprende a estimar os outros como se te apresentem, sem exigir-lhes mudanças imediatas.

Dedica-te ao trabalho em que te sustentes sem desprezar a pausa de repouso ou o entretenimento em que se te restaurem as energias.

Serve ao próximo tanto quanto puderes.

Detém-te ao lado melhor das situações e das pessoas, esquecendo o que te pareça inconveniente ou desagradável.

Não carregues ressentimentos.

Cultiva a simplicidade evitando a carga de complicações e de assuntos improdutivos que te furtem a paz.

Admite o fracasso por lição proveitosa, quando o fracasso possa surgir.

Tempera a conversação com o fermento da esperança e da alegria.

Tanto quanto possível não te faças problema para ninguém, empenhando-te a zelar por ti mesmo.

Se amigos te abandonam, busca outros que te consigam compreender com mais segurança.

Quando a lembrança do passado não contenha valores reais, olvida o que já se foi, usando o presente na edificação do futuro melhor.

Se o inevitável acontece aceita corajosamente as provas em vista, na certeza de que todas as criaturas atravessam ocasiões de amarguras e lágrimas.

Oferece um sorriso de simpatia e bondade seja a quem for.

Quanto à morte do corpo, não penses nisso, guardando a convicção de que ninguém existiu no mundo sem a necessidade de enfrentá-la.

E, trabalhando e servindo sempre, sem esperar outra recompensa que não seja a bênção da paz na consciência própria, nenhuma tensão emocional te criará desencanto ou doença, de vez que se cumpres o teu dever com sinceridade, quando te falte força Deus te sustentará, e onde não possas fazer todo o bem que desejas realizar, Deus fará sempre a parte mais importante.


Tensão emocional / Emmanuel ; psicografia de  Francisco Cândido Xavier