(Amor
- União)
"O amor das almas gêmeas é aquele que o Espírito, um dia,
sentirá pela Humanidade inteira." - Emmanuel
Há uma gradação do amor, no seio das manifestações da natureza
visível e invisível?
- Sem dúvida, essa gradação existiu em todos os tempos, como
gradativa é a posição de todos os seres na escala infinita do
progresso. O amor é a lei própria da vida e, sob o seu domínio
sagrado, todas as criaturas e todas as coisas se reunem ao Criador,
dentro do plano grandioso da unidade universal.
Desde as manifestações mais humildes dos reinos inferiores da
Natureza, observamos a exteriorização do amor em sua feição divina.
Na poeira cósmica, sínteses da vida, têm as atrações magnéticas
profundas; nos corpos simples, vemos as chamadas “precipitações” da
química; nos reinos mineral e vegetal verificamos o problema das
combinações indispensáveis. Nas expressões da vida animal;
observamos o amor em todo, em gradações infinitas, da violência à
ternura, nas manifestações do irracional.
No caminho dos homens é ainda o amor que preside a todas as
atividades da existência em família e em sociedade. Reconhecida a
sua luz divina em todos os ambientes, observaremos a união dos seres
como um ponto sagrado, de referência dessa lei única que dirige o
Universo.
Das expressões de sexualidade, o amor caminha para o supersexualismo,
marchando sempre para as sublimadas emoções da espiritualidade pura,
pela renúncia e pelo trabalho santificantes, até alcançar o amor
divino, atributo dos seres angelicais, que se edificaram para a
união com Deus, na execução de seus sagrados desígnios do Universo.
Será uma verdade a teoria das almas gêmeas?
- No sagrado mistério da vida, cada coração possui no
Infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à
gloriosa imortalidade.
Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que
separadas. A união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível.
Milhares de seres, se transviados no crime ou na inconsciência,
experimentaram a separação das almas que os sustentam, como a
provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais
obscuras, vemos sempre a atração eterna das almas que se amam mais
intimamente, envolvendo umas para as outras num turbilhão de
ansiedades angustiosas; atração que é superior a todas as expressões
convencionais da vida terrestre. Quando se encontram no acervo real
para os seus corações – a da ventura de sua união pela qual não
trocariam todos os impérios do mundo, e a única amargura que lhes
empana a alegria é a perspectiva de uma nova separação pela morte,
perspectiva essa que a luz da Nova Revelação veio dissipar,
descerrando para todos os espíritos, amantes do bem e da verdade, os
horizontes eternos da vida.
Existe nos textos sagrados algum elemento de comprovação para a
teoria das almas gêmeas?
- Somos dos primeiros a reconhecer que em todos os textos
necessitamos separar o espírito da letra; contudo, é justo lembrar
que nas primeiras páginas do Antigo Testamento, base da Revelação
Divina, está registrada: “e Deus considerou que o homem não devia
ficar só”.
A atração das almas gêmeas é traço característico de todos os
planos de luta na Terra?
- O Universo é o plano infinito que o pensamento divino
povoou de ilimitadas e intraduzíveis belezas.
Para todos nós, o primeiro instante da criação do ser está
mergulhado num suave mistério, assim como também a atração profunda
e inexplicável que arrasta uma alma para outra, no instituto dos
trabalhos, das experiências e das provas, no caminho infinito do
Tempo.
A ligação das almas gêmeas repousa, para o nosso conhecimento
relativo, nos desígnios divinos, insondáveis na sua sagrada origem,
constituindo a fonte vital do interesse das criaturas para as
edificações da vida. Separadas ou unidas nas experiências do mundo,
as almas irmãs caminham, ansiosas, pela união e pela harmonia
supremas, até que se integrem, no plano espiritual, onde se reúnem
para sempre na mais sublime expressão de amor divino, finalidades
profundas de todas as cogitações do ser, no Dédalo do destino.
A união das almas gêmeas pode constituir restrição ao amor
universal?
O amor das almas gêmeas não pode efetuar semelhante
restrição, porquanto, atingida a culminância evolutiva, todas as
expressões afetivas se irmanam na conquista do amor divino. O amor
das almas gêmeas, em suma, é aquele que o Espírito, um dia, sentirá
pela Humanidade inteira.
Se todos os seres possuem a sua alma gêmea, qual a alma gêmea de
Jesus-Cristo?
- Não julguemos acertado trazer a figura do Cristo para
condiciona-la aos meios humanos, num paralelismo injustificável,
porquanto em Jesus temos de observar a finalidade sagrada dos
gloriosos destinos do espírito.
N’Ele cessaram os processos, sendo indispensável reconhecer na sua
luz as realizações que nos compete atingir. Representando para nós
outros a síntese do amor divino, somos compelidos a considerar que
de sua culminância espiritual enlaçou no seu coração magnânimo, com
a mesma dedicação, a Humanidade inteira, depois de realizar o amor
supremo.
Perante a teoria das almas gêmeas, como esclarecer a situação dos
viúvos que procuram, novas uniões matrimoniais, alegando a
felicidade encontrada no lar primitivo?
- Não devemos esquecer que a Terra ainda é uma escola de
lutas regeneradoras ou expiatórias, onde o homem pode consorciar-se
várias vezes, sem que a sua união matrimonial se efetue com a alma
gêmea da sua, muitas vezes distante da esfera material.
A criatura transviada, até que se espiritualize para a compreensão
desses laços sublimes, está submetida, no mapa de suas provações, a
tais experiências, por vezes pesadas e dolorosas. A situação de
inquietude e subversão de valores na alma humana justifica essa
provação terrestre, caracterizada pela distância dos Espíritos
amados, que se encontram num plano de compreensão superior, os
quais, longe de desdenharem as boas experiências dos companheiros de
seus afetos, buscam facultar-lhes com a máxima dedicação, de modo a
facilitar o seu avanço direto às mais elevadas conquistas
espirituais.
Os Espíritos evolutidos, pelo fato de deixarem algum amado na
Terra, ficam ligados ao planeta pelos laços da saudade?
- Os espíritos superiores não ficam propriamente ligados ao
orbe terreno, mas não perdem o interesse afetivo pelos seres amados
que deixaram no mundo, pelos quais trabalham com ardor,
impulsionando-os na estrada das lutas redentoras, em busca das
culminâncias da perfeição.
A saudade, nessas almas santificadas e puras, é muito mais sublime e
mais forte, por nascer de uma sensibilidade superior, salientando-se
que, convertida num interesse divino, opera as grandes abnegações do
Céu, que seguem os passos vacilantes do Espírito encarnado, através
de sua peregrinação expiatória ou redentora na face da Terra.
Somente pela prece a alma encarnada pode auxiliar um Espírito
bem-amado que a antecedeu na jornada do túmulo?
- A oração coopera eficazmente em favor do que partiu, muitas vezes
com o espírito emaranhado na rede das ilusões da existência
material. Todavia, o coração amigo que ficou aí no mundo, pela
vibração silenciosa e pelo desejo perseverante de ser útil ao
companheiro que o precedeu na sepultura, para os movimentos da vida,
nos momentos de repouso do corpo, em que a alma evoluída pode gozar
de relativa liberdade, pode encontrar o Espírito sofredor ou errante
do amigo desencarnado, despertar-lhe à vontade no cumprimento do
dever, bem como orienta-lo sobre a sua realidade nova, sem que a sua
memória corporal registre o acontecimento na vigília comum.
Daí nasce à afirmativa de que somente o amor pode atravessar o
abismo da morte.
(EMMANUEL - Da Obra “O CONSOLADOR” – 322 a 330 - FRANCISCO CÂNDIDO
XAVIER)

Observação do Instituto André Luiz: A teoria das "Almas Gêmeas"
(livro O Consolador), de Emmanuel, foi contestada pela FEB,
Federação Espírita Brasileira, por mostrar-se, segundo a
institutição, em contradição à resposta dada pelos espíritos da
Codificação (O Livro dos Espíritos, questões 298 e 299 ). Em amável
resposta, Emmanuel corrigiu apenas a
questão 378, alegando problemas de filtragem mediúnica e solicitou à
editora a conservação, no livro, do texto relativo às "Almas
Gêmeas", por tratar-se, segundo suas próprias palavras, de "tese
mais complexa do que parece ao primeiro exame e sugere mais vasta
meditação às tendências do século, no capítulo do "divorcismo" e do
"pansexualismo"* (teoria
segundo a qual todas as formas de comportamento se baseiam na
sexualidade),
que a ciência menos construtiva vem lançando nos espíritos, mesmo
porque, com a expressão "almas gêmeas", não desejamos dizer
metades eternas, e ninguém, em rigor, pode estribar-se no enunciado
para desistir de veneráveis compromissos assumidos na escola
redentora do mundo, sob pena de aumentar os próprios débitos, com
difíceis obrigações à frente da Lei."
Eis aí, portanto, nossa observação. Sugerimos uma leitura atenta à
tese das almas gêmeas, para que fique bem claro que nosso estimado
Emmanuel não se refere em momento algum a metades eternas, posto que
implicaria em sugerir que somos incompletos; e nem se refere, muito
menos, a sentimentos menores, a amores fugidios, a paixões enganosas
ou a atrações sexuais ditas irresistíveis. Sobre o assunto, explica
com clareza: "Para todos nós, o primeiro instante da criação do ser está
mergulhado num suave mistério, assim como também a atração profunda
e inexplicável que arrasta uma alma para outra, no instituto dos
trabalhos, das experiências e das provas, no caminho infinito do
Tempo. A ligação das almas gêmeas repousa, para o nosso
conhecimento relativo, nos desígnios divinos, insondáveis na sua
sagrada origem, constituindo a fonte vital do interesse das
criaturas para as edificações da vida. Separadas ou unidas nas
experiências do mundo, as almas irmãs caminham, ansiosas, pela união
e pela harmonia supremas, até que se integrem, no plano espiritual,
onde se reúnem para sempre na mais sublime expressão de amor divino,
finalidades profundas de todas as cogitações do ser, no Dédalo do
destino."
O texto que acima apresentámos é da responsabilidade do Instituto André Luiz e pode encontrar-se na World Wide Web apontando para http://www.institutoandreluiz.org/estudo_almas_gemeas.html