terça-feira, 21 de julho de 2015

Nova Sagres





Pátria minha, porque me entendes morto, 
E, portanto, acabado me presumes, 
Estranhas que te fale deste porto, 
Que deserto supões, e crês sem lumes. 
Amar-te, todavia, é meu conforto,
Ainda que em denso olvido tu me enfumes, 
Porquanto o amor, que vero e bom se preza, 
Pode esquecido ser, mas não despreza!   

Deste plano mais alto, mais se avista, 
E juízos se faz bem mais isentos... 
Tu, porém, me ressurges sempre, à vista, 
Clara de sol e airada de bons ventos! 
Mesmo que veja em ti sombra que exista, 
Jamais fui de me dar a vãos lamentos. 
Eu creio firmemente em teu destino, 
Bem sofrido, talvez, mas peregrino!  

Se d’algo prevenir-te assaz quisera,
É duma Nova Sagres que em ti nasce... 
Escola que prepara a primavera 
Dum novo dia que te surge à face. 
Nova luz para a Europa, em nova era, 
Quis Deus que do teu solo se elevasse: 
Espírita, de certo, e Portuguesa, 
Nossa Federação, nossa riqueza! 

Helil apresta o Exército que reme... 
Volve à trincheira o glorioso Infante! 
Portugal se reergue, qual gigante, 
Do Velho Mundo novamente ao leme!
Cristo abençoa o pavilhão flamante 
Que nos céus lusitanos brilha e treme: 
Jesus, Kardec e Amor — lema sublime, 
Nessa bandeira célica se imprime!  

Excelsa vocação dum grande povo: 
Mundos ocultos descobrir às gentes! 
Agora, em mares de ideais, de novo 
Tem-vos o mundo, ó bravos lusos crentes! 
Não é debalde que vos canto e louvo, 
Companheiros amados e valentes! 
Deus salve a Lusitânia, nobre e santa!
 Deus salve Portugal que se alevanta!...   

LUÍS DE CAMÕES  (Poema ditado a Hernâni T. Sant’Anna, pelo espírito de Luís de Camões, em 7-1-1977, na FEB)

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