Pátria minha,
porque me entendes morto,
E, portanto,
acabado me presumes,
Estranhas que
te fale deste porto,
Que deserto
supões, e crês sem lumes.
Amar-te,
todavia, é meu conforto,
Ainda que em
denso olvido tu me enfumes,
Porquanto o
amor, que vero e bom se preza,
Pode
esquecido ser, mas não despreza!
Deste plano
mais alto, mais se avista,
E juízos se
faz bem mais isentos...
Tu, porém, me
ressurges sempre, à vista,
Clara de sol
e airada de bons ventos!
Mesmo que
veja em ti sombra que exista,
Jamais fui de
me dar a vãos lamentos.
Eu creio
firmemente em teu destino,
Bem sofrido,
talvez, mas peregrino!
Se d’algo
prevenir-te assaz quisera,
É duma Nova
Sagres que em ti nasce...
Escola que
prepara a primavera
Dum novo dia
que te surge à face.
Nova luz para
a Europa, em nova era,
Quis Deus que
do teu solo se elevasse:
Espírita, de
certo, e Portuguesa,
Nossa
Federação, nossa riqueza!
Helil apresta
o Exército que reme...
Volve à
trincheira o glorioso Infante!
Portugal se
reergue, qual gigante,
Do Velho
Mundo novamente ao leme!
Cristo abençoa o pavilhão flamante
Que nos céus
lusitanos brilha e treme:
Jesus, Kardec
e Amor — lema sublime,
Nessa
bandeira célica se imprime!
Excelsa
vocação dum grande povo:
Mundos
ocultos descobrir às gentes!
Agora, em
mares de ideais, de novo
Tem-vos o mundo,
ó bravos lusos crentes!
Não é debalde
que vos canto e louvo,
Companheiros
amados e valentes!
Deus salve a
Lusitânia, nobre e santa!
Deus salve Portugal que se alevanta!...
LUÍS DE
CAMÕES (Poema ditado a Hernâni T.
Sant’Anna, pelo espírito de Luís de Camões, em 7-1-1977, na FEB)

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