terça-feira, 22 de novembro de 2011

De passagem semeando amor / Lourival Silveira

NA VIDA TUDO PASSA

Não apresse o rio – diz um pensamento hindu.
A vida tem seu próprio ritmo e suas próprias regras.
Ninguém muda coisa alguma, se não tiver a paciência necessária.
Mas, para viver em paz durante o tempo em que a vida age processando as mudanças, é preciso saber viver as coisas como elas são, enquanto elas assim forem.
Em outras palavras, é preciso saber aceitar o inevitável, enquanto ele for uma realidade em sua vida.
Ser feliz é algo que depende de você aceitar que tudo o que está na sua vida hoje, tem uma razão para estar ali.
E vai passar, no seu devido tempo.
Nesta vida nada é por acaso. Tudo tem uma razão de ser.
E mais: nesta vida tudo passa.
Quando cessa a necessidade de um acontecimento em nossa vida, quando aprendemos a lição que há para nós nesse acontecimento, então ele se vai.
Ele passa e dá lugar a novos acontecimentos, com novas lições de vida.
A vida é um renovar constante, é uma lição contínua.
Na vida tudo passa! As coisas boas passarão, mas também, as coisas ruins passarão.
Por isso a felicidade vem do bom senso de aceitar o inevitável, com a paciência necessária para esperar que tudo passe...
A partir do momento que paramos de gastar energia lutando contra o inevitável – e damos à vida o tempo necessário para resolver esse problema –, passamos a acumular condições para transformar a nossa vida em algo melhor.
Passamos também a ver com mais clareza onde usar essa energia economizada.
Tudo começa a ter então, uma perspectiva melhor.
E isso favorece a felicidade. Seja mais feliz, aprendendo as lições de cada acontecimento e tendo a tranquilidade de saber, que:
 “Tudo passa após cumprido o seu propósito em sua vida”.

______Lourival Silveira______
De Passagem Semeando Amor

sábado, 8 de outubro de 2011

Solidão

À medida que te elevas, monte acima, no desempenho do próprio dever, experimentas a solidão dos cimos e incomensurável tristeza te constringe a alma sensível.
Onde se encontram os que sorriram contigo no parque primaveril da primeira mocidade? Onde pousam os corações que te buscavam o aconchego nas horas de fantasia? Onde se acolhem quantos te partilhavam o pão e o sonho, nas venturas ridentes do início?
Certo, ficaram...
Ficaram no vale, voejando em círculo estreito, à maneira das borboletas douradas, que se esfacelam ao primeiro contacto da menor chama de luz que se lhes descurtine à frente.
Em torno de ti, a claridade, mas também o silêncio...
Dentro de ti, a felicidade de saber, mas igualmente a dor de não seres compreendido...
Tua voz grita sem eco e o teu anseio se alonga em vão.
Entretanto, se realmente sobes, que ouvidos te poderiam escutar a grande distância e que coração faminto de calor do vale se abalançaria a entender, de pronto, os teus ideais de altura?
Choras, indagas e sofres...
Contudo, que espécie de renascimento não será doloroso?
A ave, para libertar-se, destrói o berço da casca em que se formou, e a semente, para produzir, sofre a dilaceração na cova desconhecida.
A solidão com o serviço aos semelhantes gera a grandeza.
A rocha que sustenta a planície costuma viver isolada e o Sol que alimenta o mundo inteiro brilha sozinho.
Não te canses de aprender a ciência da elevação.
Lembra-te do Senhor, que escalou o Calvário, de cruz aos ombros feridos. Ninguém o seguiu na morte afrontosa, à exceção de dois malfeitores, constrangidos à punição, em obediência à justiça.
Recorda-te Dele e segue...
Não relaciones os bens que já espalhaste.
Confia no Infinito Bem que te aguarda.
Não esperes pelos outros, na marcha de sacrifício e engrandecimento. E não olvides que, pelo ministério da redenção que exerceu para todas as criaturas, o Divino Amigo dos Homens, não somente viveu, lutou e sofreu sozinho, mas também foi perseguido e crucificado.

EMMANUEL - Fonte Viva. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

domingo, 2 de outubro de 2011

Materialismo

Por uma aberração da inteligência, há pessoas que não vêem nos seres orgânicos nada mais que a acção da matéria, e a esta atribuem todos os nossos actos. Não vêem no corpo humano senão a máquina eléctrica, estudaram o mecanismo da vida apenas no funcionamento dos órgãos; viram-na extinguir-se muitas vezes pela ruptura de um fio e nada mais perceberam além desse fio; procuraram descobrir o que restava e como não encontraram mais do que a matéria inerte, não viram a alma escapar-se e nem puderam pegá-la, concluíram que tudo estava nas propriedades da matéria e que, portanto, após a morte o pensamento se reduz ao nada. Triste consequência, se assim fosse: porque então o bem e o mal não teriam sentido, o homem estaria certo ao não pensar senão em si mesmo e ao colocar acima de tudo a satisfação dos prazeres materiais; os laços sociais estariam rompidos e os mais santos afectos destruídos para sempre.Felizmente, essas ideias estão longe de ser generalizadas, pode-se mesmo dizer que estão muito circunscritas, não constituindo mais do que opiniões individuais, porque em parte alguma foram erigidas em doutrina. Uma sociedade fundada sobre essa base traria em si mesma os germes da dissolução, e os seus membros se despedaçariam entre si, como animais ferozes.


O homem tem instintivamente a convicção de que tudo não se acaba para ele com a vida; tem horror ao nada; é em vão que se obstina contra a ideia da vida futura, e quando chega o momento supremo, são poucos os que não perguntam o que deles vai ser, porque a ideia de deixar a vida para sempre tem qualquer coisa de pungente. Quem poderia, com efeito, encarar com indiferença uma separação absoluta e eterna de tudo o que ama? Quem poderia ver, sem terror, abrir-se à sua frente o imenso abismo do nada, pronto a tragar para sempre todas as nossas faculdades, todas as nossas esperanças, e ao mesmo tempo dizer: Qual? Depois de mim, nada, nada mais que o nada; tudo se acaba sem apelo; mais alguns dias e a minha lembrança se apagará da memória dos que sobrevivem a mim; dentro em breve nenhum traço haverá da minha passagem pela Terra, o próprio bem que eu fiz será esquecido pelos ingratos a quem servi, e nada para compensar tudo isso, nenhuma perspectiva, a não ser a do meu corpo devorado pelos vermes.


Este quadro não tem qualquer coisa de horroroso e de glacial? A religião nos ensina que não pode ser assim e a razão o confirma. Mas uma existência futura, vaga e indefinida, nada tem que satisfaça o nosso amor do positivo. E é isso que para muitos engendra a dúvida. Está certo que tenhamos uma alma; mas o que é a nossa alma? Tem ela uma forma, alguma aparência? É um ser limitado ou indefinido? Dizem alguns que é um sopro de Deus; outros, que é uma centelha; Outros, uma parte do Grande Todo, o principio da vida e da inteligência. Mas o que é que tudo isso nos oferece? Que nos importa ter uma alma, se depois da morte ela se confunde com a imensidade, como as gotas de água no oceano? A perda da nossa individualidade não é, para nós, o mesmo que o nada? Diz-se, ainda, que ela é imaterial. Mas uma coisa imaterial não pode ter proporções definidas, e para nós equivale ao nada. A religião nos ensina também que seremos felizes ou desgraçados, segundo o bem ou o mal que tenhamos feito. Mas qual é esse bem que nos espera no seio de Deus? É uma beatitude, uma contemplação eterna, sem outra ocupação que a de cantar louvores ao Criador? As chamas do inferno são uma realidade ou apenas um símbolo? A própria Igreja as compreende nesse último sentido; mas, então, que sofrimentos são esses? Onde se encontra o lugar de suplício? Em uma palavra, o que se faz, e o que se vê, nesse mundo que nos espera a todos?


Ninguém, costuma dizer-se, voltou de lá para nos dar conta do que existe. Isto, porém, é um erro, e a missão do Espiritismo é precisamente a de nos esclarecer sobre esse futuro, a de nos fazer, até certo ponto, vê-lo e tocá-lo, não mais pelo raciocínio, mas através dos factos. Graças às comunicações espíritas, isto não é mais uma presunção, uma probabilidade sobre a qual cada um imagina à vontade, que os poetas embelezam com suas ficções ou enfeitam de imagens alegóricas que nos seduzem.É a realidade que nos mostra a sua face, porque são os próprios seres de além-túmulo que nos vêm contar a sua situação, dizer-nos o que fazem, permitem-nos assistir, por assim dizer, a todas as peripécias da sua nova vida e por esse meio nos mostram a sorte inevitável que nos está reservada, segundo os nossos méritos ou os nossos delitos. Há nisso alguma coisa de anti-religioso? Bem pelo contrário, pois os incrédulos assim encontram a fé, e os tíbios uma renovação do fervor e da confiança. O Espiritismo é o mais poderoso auxiliar da Religião.E se assim acontece é porque Deus o permite, e o permite para reanimar as nossas esperanças vacilantes e nos conduzir ao caminho do bem, pelas perspectivas do futuro.

 KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos. Lisboa: CEPC, 1996. Capítulo II, Encarnação dos espíritos.

sábado, 1 de outubro de 2011

Autolibertação



"...Nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada poderemos levar dele."- Paulo (I Timoteo, 6:7.)



Se desejas emancipar a alma das grilhetas escuras do "eu", começa o teu curso de autolibertação aprendendo a viver "como possuindo tudo e nada tendo", "com todos e sem ninguém".


Se chegaste à Terra na condição de um peregrino necessitado de aconchego e socorro e se sabes que te retirarás dela sozinho, resigna-te a viver contigo mesmo, servindo a todos em favor do teu crescimento espiritual para a imortalidade.
 Lembra-te de que, por força das leis que governam os destinos, cada criatura está ou estará em solidão, a seu modo, adquirindo a ciência da auto-superação.

Consagra-te ao bem, não só pelo bem de ti mesmo, mas, acima de tudo, por amor ao próprio bem.
Realmente grande é aquele que conhece a própria pequenez, ante a vida infinita.

Não te imponhas, deliberadamente, afugentando a simpatia; não dispensarás o concurso alheio na execução da tua tarefa.
Jamais suponhas que a tua dor seja maior que a do vizinho ou que as situações do teu agrado sejam as que devam agradar aos que te seguem. Aquilo que te encoraja pode espantar a muitos e o material de tua alegria pode ser um veneno para o teu irmão.
Sobretudo, combate a tendência ao melindre pessoal com a mesma persistência empregada no serviço de higiene do leito em que repousas. Muita ofensa registada é peso inútil ao coração. Guardar o sarcasmo ou o insulto dos outros não será o mesmo que cultivar espinhos alheios em nossa casa?

Desanuvia a mente, cada manhã e segue para diante na certeza de que acertaremos as nossas contas com Quem nos emprestou a vida e não com os homens que a malbaratam.
Deixa que a realidade te auxilie a visão e encontrarás a divina felicidade do anjo anónimo, que se confunde na glória do bem comum.

Aprende a ser só, para seres mais livre no desempenho do dever que te une a todos, e, de pensamento voltado para o Amigo Celeste, que esposou o caminho estreito da cruz, não nos esqueçamos da advertência de Paulo, quando nos diz que, com alusão a quaisquer patrimónios de ordem material, "nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada poderemos levar dele".

EMMANUEL - Fonte Viva. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

domingo, 11 de setembro de 2011

Coragem na luta


 ... Deveremos viajar na direção da nossa consciência para encontrarmos Jesus.

     O mundo chamar-nos-á  a atenção mil vezes.
     As falácias, os engodos, as fantasias, os instintos primários arrastar-nos-ão ao passado de delitos onde estamos e desejamos sair.
    Se, por descuido da nossa vigilância, penetramos outra vez no labirinto das paixões, olvidando o planalto libertador da Terra,  a Consciência Crística convida-nos à ascensão.
    Nem sempre é fácil ascender nos rumos do infinito.
    As algemas da retaguarda detêm-nos o passo.
   Jesus, no entanto, como Libertador, rompe-nos a cadeia férrea da paixão dominante, e podemos experimentar a emoção de alegria, o júbilo da liberdade.
    Filhos da alma: o Mestre continua esperando por nós nas praias da Eternidade.
    Toda vez quando O buscamos, surge uma identificação plena com o seu amor e, revitalizados pela Sua energia conseguimos avançar vários largos passos na direção do planalto de sublimação.
    Não nos detenhamos! Chuvas de sarcasmos, solo juncado de cardos, pedrouços e obstáculos, mas a voz do Amor continua chamando-nos.
    Não nos esqueçamos que é necessário caminhar pela vereda estreita e difícil,  que nós próprios abrimos no ontem, até estarmos perfeitamente integrados na consciência do Amor não amado.
   Se colocarmos sobre os ombros o fardo da Sua afetividade poderemos planar acima das vicissitudes.
   Se aceitarmos o Seu, e não o jugo do mundo, observaremos que é tão suave a Sua misericórdia, que uma alegria inefável tomará conta de nós e, naturalmente, não olharemos mais para trás.
   O Amigo convida-nos através do Consolador para rompermos, por definitivo, com a retaguarda dolorosa.
   Avancemos, filhos da alma!
   Olvidemos todo e qualquer mal, para recordarmos somente do bem.
   Transformemos a queixa em gratidão a Deus pela ocorrência, façamos da dificuldade o desafio a vencer.

   Ninguém atinge o topo da subida sem passar pelas baixadas difíceis e perturbadoras do caminho evolutivo.

   Não estais a sós! Vossos anjos tutelares velam por vós e, nos momentos que os buscais, mediante a oração, nas pausas de reflexão, acercam-se- vos e transmitem-vos a coragem, o estímulo para a luta e um envolvimento terno e doce para superardes as aflições.

   Recordai do Senhor: "No mundo somente tereis aflições, mas lembrai-vos de Mim. Eu venci o mundo”.
  Muitos de vós tereis oportunidades de vencer no mundo dos negócios, nas contribuições políticas, sociais, científicas e artísticas, mas não vos olvideis de vencer o mundo das tentações, o mundo dos caprichos, o mundo das tenazes violentas do erro e da loucura.
  Ide, o Senhor está convosco!
  Não desanimeis nunca, avançando sem cessar!
  Exortando ao Mestre a Sua bênção de paz para todos nós,
                                                         sou o servidor humílimo e paternal de sempre,
 Bezerra de Meneses

domingo, 28 de agosto de 2011

Quando o inevitável Acontece / Orson Peter Carrara

“Se o inevitável acontece, aceita corajosamente as provas em vista, na certeza de que todas as criaturas atravessam ocasiões de amarguras e lágrimas.” 
Vivendo num mundo material, sujeitos que estamos às situações próprias de nosso estágio, onde se incluem acidentes, enfermidades e toda sorte de ocorrências já tão bem conhecidas, estamos sempre expostos ao inevitável que normalmente surge em momento de surpresa. Emmanuel sugere que diante dele, aceitemos corajosamente as provas, sempre lembrando que todas as criaturas atravessam ocasiões de amarguras e aflições. A atitude de coragem diante das ocorrências inevitáveis, e na maioria das vezes muito desagradáveis é providência vital de superação e aprendizado valioso. Para alcançar referido nível de entendimento e armar-se dessa virtude notável, que é a coragem, precisamos entender o que são provas e expiações, nas expressões tão comuns e tão conhecidas no ambiente espírita. O que são provas? O que são expiações? Provas são degraus de aprendizado e crescimento. Foram solicitadas por nós durante o período de planejamento reencarnatório, sugeridas pelos benfeitores espirituais ou enviadas pela Sabedoria Divina para nos colocar “nos trilhos”, quando deles nos afastamos, ou trazer ensinamentos que necessitamos. Objetivo é sempre o aprendizado, que leva ao amadurecimento. Expiações são conseqüências de nossas ações, no passado ou mesmo no presente recente. Conseqüências das lesões que causamos em nós mesmos pelos vícios e condicionamentos e lesões ao próximo com prejuízos morais, sociais, físicos, patrimoniais, emocionais. Todo prejuízo causado a nós mesmos ou ao próximo exige reparação. Esse processo de reparação passa por três fases: arrependimento, expiação e reparação. A expiação é pois, a conseqüência dos males e prejuízos que causamos. Note-se, pois, que um evento externo ou interno que nos atinge – entre eles uma derrocada financeira, uma enfermidade, um acidente, perdas materiais, mortes de entes queridos – podem estar enquadrados em processos provacionais (de aprendizado) ou expiatórios (de conseqüências de prejuízos que causamos) ou dentro de nossas necessidades de aprendizado. Isso pode ocorrer individualmente na família, ou mesmo coletivamente numa cidade, povo ou pátria. Portanto, essas ocorrências inevitáveis tem razão de ser em nossas necessidades de amadurecimento, de aprendizado em determinada área ou como conseqüência de nossas precipitações do passado. Sabendo disso, cabe-nos encará-las como oportunidades também de crescimento. Podemos amadurecer muito com tais ocorrências, se as analisarmos com prudência, cuidado, e especialmente com o interesse de algo aprender com elas. Encará-las com revolta e reclamação, apenas agrava o quadro e ainda somos reprovados nas provas solicitadas – e, portanto aceites - sugeridas ou enviadas. Para entender bem a questão será oportuno e didático estudar o item 18 – Bem e Mal Sofrer – constante do capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Aprenderemos essa questão com profundidade, para bem aproveitar as situações que nos atingem.”

Quando o inevitável Acontece por Orson Peter Carrara, da obra "Tensão Emocional"

Texto publicado originalmente no blogue do Autor (http://orsonpetercarrara.blogspot.com/2011/08/quando-o-inevitavel-acontece.html)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sirvamos ao Bem

A Luz resplandece nas trevas
(João, 1:5.)


Não te aflijas porque estejas aparentemente só no serviço do bem.
Jesus era sozinho, antes de reunir os companheiros para o serviço apostólico. Sozinho, à frente do mundo vasto, à maneira de um lavrador, sem instrumentos de trabalho, diante da selva imensa...
Nem por isso o Cristianismo deixou de surgir, por templo vivo do amor, ainda hoje em construção na Terra, para a felicidade humana.
Jesus, porém, não obstante conhecer a força da Verdade que trazia consigo, não se prevaleceu da sua superioridade para humilhar ou ferir.
Acima de todas as preocupações, buscou invariavelmente o bem, através de todas as situações e em todas as criaturas.
Não perdeu tempo em reprovações descabidas.
Não se confiou a polémicas inúteis.
Instituiu o reinado salvador de que se fizera mensageiro, servindo e amando, ajudando sempre e alicerçando cada ensinamento com a sua própria exemplificação,
Continuemos, pois, em nossa marcha regenerativa para a frente, ainda mesmo quando nos sintamos a sós.
Sirvamos ao bem, acima de tudo. Entretanto, evitemos discussões e agitações em que o mal possa expandir-se.
Foge a sombra ao fulgor da luz.
Não nos esqueçamos de que milhares de quilómetros de treva, no seio da noite, não conseguem apagar alguns milímetros de chama brilhante de uma vela. Contudo, basta um leve sopro de vento para extingui-la.

(Capítulo V, nºs28 e 29 do Evangelho segundo o Espiritismo)

terça-feira, 26 de julho de 2011

O Espiritismo: de Kardec aos nossos dias

Sejam quais forem os prodígios realizados pela inteligência humana, esta inteligência tem também uma causa primária. É a inteligência superior a causa primária de todas as coisas, qualquer que seja o nome pelo qual o homem a designe. (Allan Kardec)


Publicado em Paris a 18 de Abril de 1857, O Livro dos Espíritos é o marco inicial de uma nova fase da evolução humana. O Espiritismo baseia-se na solidez deste livro, na credibilidade e sabedoria de suas fontes espirituais, na pureza de sua moral evangélica, nos meios de transmissão mediúnica e na coerência de suas revelações.
A característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade. Revelar um segredo é tornar conhecido um facto. Se é falso, já não é um facto e, portanto, não existe revelação.
Todas as ciências que nos fazem conhecer os mistérios da Natureza são revelações, e pode dizer-se que há para a humanidade uma revelação incessante. A Astronomia revelou o mundo dos astros que não conhecíamos. A Geologia revelou a formação da Terra. A Química revelou a lei das afinidades entre as substâncias. A Fisiologia revelou as funções do organismo. Copérnico, Newton, Galileu, Laplace e Lavoisier foram reveladores.
O Espiritismo, dando-nos a conhecer o mundo espiritual que nos cerca e, por conseguinte, o nosso destino depois da morte, é uma verdadeira revelação na acepção científica da palavra. A revelação espírita é de origem divina e de iniciativa dos espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho humano.

Obedecendo a uma sequência histórica, a primeira revelação divina teve sua personificação em Moisés, a segunda no Cristo. A terceira não a tem num só indivíduo. Aí está um carácter essencial de grande importância. A revelação espírita, ou terceira revelação, é colectiva no sentido de não ter sido dada como privilégio a pessoa alguma. Foi espalhada, simultaneamente, por sobre a Terra a milhões de seres humanos de todas as idades e condições.

As revelações de Moisés e de Cristo, sendo resultado do ensino pessoal, apareceram num só ponto em torno do qual a ideia se propagou, pouco a pouco. Mas foram precisos muitos séculos para que atingissem as extremidades do mundo, sem mesmo o cobrirem inteiramente.
A revelação espírita, não estando personificada em um só indivíduo, surgiu simultaneamente em milhares de pontos diferentes, que se tornaram centros ou focos de irradiação. Se o Cristo não disse tudo quanto poderia dizer, é que julgou conveniente deixar certas verdades veladas, até que os homens chegassem ao estado de compreendê-las.

Mas quem toma a liberdade de interpretar as Escrituras Sagradas? Quem tem esse direito?

Neste século de emancipação intelectual e de liberdade de consciência, esse direito pertence a todos: cientistas, religiosos, filósofos e pesquisadores. Os homens, cada vez mais esclarecidos, há medida que novos factos e novas leis se forem revelando, saberão separar da realidade os sistemas utópicos. Ora, as ciências tornam conhecidas algumas leis; o Espiritismo revela outras. Todas são indispensáveis à inteligência dos textos sagrados de todas as religiões, desde Confúcio e Buda, até ao Cristianismo.
O último carácter da revelação espirita é que, apoiando-se em factos, tem que ser e não pode deixar de ser essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Caminhando a par do progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.

Hoje, mais de cem anos depois da publicação de O Livro dos Espíritos, nenhum dos princípios fundamentais do Espiritismo foi abalado. Todos permanecem intactos, e isso num século em que o mundo sofreu transformações radicais em todos os campos do conhecimento. O que se pode observar é que o desenvolvimento da ciência se processa, justamente, na direcção dos princípios espíritas. O exemplo mais recente vem expresso nos jornais. Depois do átomo e de todas as suas subdivisões, os cientistas acabam de dar mais um passo no estudo do microcosmo, agora com a descoberta oficial do Top Quark, a partícula mais fundamental da matéria. Esta conquista científica que ajudará a entender planetas, estrelas e galáxias e a própria vida, vem confirmar ensinamentos que já nos haviam sido antecipados pelo capítulo 2º de O Livro dos Espíritos, sobre os elementos gerais do universo e as propriedades da matéria.

Além de O Livro dos Espíritos, outras obras básicas compõem a codificação espírita: o Livro dos Médiuns, o Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o inferno e a Génese desenvolvem, aprofundam e consolidam os princípios do Espiritismo. Todos esses princípios, que resultam dos ensinamentos dos espíritos, foram sistematizados e codificados por Allan Kardec.

Hipollyte Léon Denizard Rivail que mais tarde viria a adoptar o pseudónimo de Allan Kardec, nasceu na cidade de Lyon, na França, no dia 3 de Outubro de 1804. Com a idade de 10 anos seus pais o enviaram para estudar em Yverdun, na Suiça, onde se localizava um dos institutos de ensino mais famosos e  respeitados em toda  a Europa. Fundado pelo educador suíço Johann Pestalozzi, o Instituto era uma espécie de escola modelo admirado pela aristocracia, altas personalidades políticas, científicas, literárias e filantrópicas. Depois de haver concluído os seus estudos em Yverdun, Rivail tornou-se conceituado mestre, não só em letras como em ciências, distinguindo-se, também, como notável pedagogo. Publicou diversos livros didácticos e contribuiu com planos e métodos para a reforma do ensino francês. Esta longa experiência pedagógica habilitou o professor Rivail para outra tarefa: a codificação do Espiritismo.
Aos 65 anos incompletos, vitimado por um aneurisma, Allan Kardec faleceu em sua casa enquanto trabalhava.

31 de Março de 1848 - em Hydesville, nos Estados Unidos da América, manifestações de forças inteligentes intervindo no plano físico assinalam o surgimento do Espiritismo, através da fenomenologia mediúnica. A seriedade desses acontecimentos teve imensa repercussão, até mesmo na Europa. Os fenómenos ocorreram numa tosca cabana, residência da família Fox, adeptos da Igreja Metodista.
No primeiro diálogo registado entre as irmãs Fox e o espírito de nome Charles Rosma, usaram-se letras do alfabeto para a formação de palavras, mediante a convenção de que a cada letra corresponderia um determinado número de pancadas. Estava, portanto, descoberto o processo adoptado para as comunicações entre os dois mundos. Pode-se dizer que o fenómeno das mesas girantes, que se seguiu aos acontecimentos de Hydesville, preparou o advento do Espiritismo, despertando o interesse dos Homens de ciência, dentre eles o Professor Rivail, ou Allan Kardec.

"Foi em 1854 que, pela primeira vez, ouvi falar das mesas girantes. Encontrei um dia o magnetizador, senhor Fortier, que conhecia há muito tempo. Disse-me ele que já não eram somente as pessoas que podiam magnetizar-se, mas também as mesas, conseguindo-se que elas caminhassem e girassem à vontade. O facto não me pareceu radicalmente impossível. O fluido magnético, que é uma espécie de electricidade, pode perfeitamente actuar sobre corpos inertes e fazer com que eles se movam.

Algum tempo depois, encontrei-me novamente com o senhor Fortier que me disse ter um facto muito mais extraordinário: a mesa não só se movia, como também falava. Interrogada, ela respondia através de sinais. Eu estava, pois, diante de um facto inexplicado, aparentemente contrário às leis da Natureza, e que a minha razão repelia. Sabia apenas que as experiências eram realizadas na presença de pessoas honradas e dignas de fé.

No ano seguinte o senhor Carlotti, amigo há 25 anos, falou-me dos mesmos fenómenos com entusiasmo. Foi ele o primeiro a mencionar-me a intervenção dos espíritos. Ele contou-me tantas coisas surpreendentes que, longe de me convencer, aumentou-me as dúvidas. Tempos depois fui convidado a assistir às experiências que se realizavam em casa da senhora Plainemaison. Foi aí que, pela primeira vez, presenciei o fenómeno das mesas que giravam, saltavam e corriam. Assisti, então, a alguns ensaios muito imperfeitos da escrita mediúnica. Sem dúvida, havia ali um facto que, necessariamente, decorria de uma causa.

Foi nessas reuniões que comecei os meus estudos sérios de Espiritismo, menos ainda por meio de revelações do que de observações. Apliquei a essa nova ciência, como o fizera até então, o método experimental. Nunca elaborei teorias pré-concebidas. Observava cuidadosamente, comparava, deduzia consequências. Dos efeitos procurava remontar às causas por dedução e pelo encadeamento lógico dos factos.
Um dos primeiros resultados que colhi das minhas observações foi que os espíritos, nada mais sendo do que a alma dos homens, não possuíam nem a plena sabedoria, nem a ciência integral. O saber de que dispunham limitava-se ao grau que haviam alcançado de adiantamento. A opinião deles só tinha o valor de uma opinião pessoal. Esta constatação preservou-me de acreditar na infalibilidade dos espíritos e impediu-me de formular teorias prematuras, tendo por base o que fora dito por alguns deles. O simples facto da comunicação com os espíritos, dissessem eles o que dissessem, provaria a existência de um mundo invisível ao ambiente. Já era um ponto essencial, um imenso campo aberto às nossas explorações.

O segundo ponto, não menos importante, é que aquela comunicação permitia que se conhecesse o estado desse mundo, os seus costumes, se assim podemos exprimir-nos.

No ano seguinte, em 1856, passei a frequentar também as reuniões espíritas que se celebravam em casa do senhor Gustain. Eram sérias essas reuniões e realizavam-se com ordem. As perguntas fúteis haviam perdido todo o atractivo para a maioria das pessoas. Quanto a mim, ía obtendo a resolução dos problemas que me interessavam do ponto de vista da Filosofia, da Psicologia e da natureza do mundo invisível. Levava para cada sessão uma série de questões preparadas e metodicamente dispostas. Pouco a pouco, as sessões íam assumindo carácter muito diverso. Entre os assistentes contavam-se físicos, matemáticos, estudiosos, cientistas das mais diferentes áreas do conhecimento humano, todos formulando perguntas, aprofundando temas e questões. Mais tarde, quando vi que aquilo constituía um todo, e ganhava as proporções de uma doutrina, tive a ideia de publicar os ensinos recebidos. O meu trabalho, em grande parte, já estava concluído, e tinha as proporções de um livro. Mas eu fazia questão de submetê-lo ao exame de outros espíritos com auxílio de diferentes médiuns. Mais de dez médiuns participaram do trabalho. Da comparação e da fusão de todas as respostas coordenadas, classificadas e muitas vezes retocadas no silêncio da meditação foi que eu organizei a primeira edição de O Livro dos Espíritos."

O Livro dos Espíritos foi elaborado através do diálogo, uma das formas mais livres e ricas da tradição filosófica. Hegel definiu a estrutura do diálogo em tese, antítese e síntese. Marx e Engels deram a ele o sentido materialista e revolucionário. Em vez de enfatizar as contradições, os conflitos e as lutas dos opostos, a dialéctica espírita prefere a compreensão, a união dos contrários, o impendimento que conduz ao progresso. Pela primeira vez surge uma comunicação como esta. O mundo do desconhecido vai-se revelando ao ser humano, que passa a poder avaliar, de modo objectivo e racional, o sentido maior de sua existência terrena, a importância do cumprimento das responsabilidades assumidas, a finalidade do aprendizado individual e colectivo, para o aperfeiçoamento de todos e de cada um, sem excepção.

A fé inabalável é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da humanidade. É aí que reside a principal força do Espiritismo, força que não fica apenas circunscrita ao plano filosófico, mas que também se estende aos planos científico e religioso. Científico porque o Espiritismo é uma ciência que demonstra experimentalmente a existência da alma e sua imortalidade. O diálogo ou intercâmbio mediúnico entre o mundo espiritual e o mundo corporal, vem abrir uma nova era nos estudos espirituais. Antes desse tipo de comunicação o conhecimento humano dividia-se radicalmente entre os mistérios divinos e a experiência terrena. A dialéctica espirita modifica essa ordem de coisas mostrando a possibilidade de tratarmos os temas espirituais através da mesma razão que aplicamos às questões materiais. Assim, O Livro dos Espíritos apresenta-se como um marco definitivo. Antes dele tínhamos o espiritualismo utópico. Com ele e depois dele, dentro dos ensinamentos da doutrina, temos o espiritualismo científico.

Não existe o sobrenatural senão para o desconhecimento humano das leis naturais. No plano religioso, o Espiritismo leva-nos a compreender o significado e verdadeira extensão da palavra Fé. O Espiritismo não tem cultos instituídos, nem igrejas, nem imagens, nem rituais, nem dogmas, nem mesmo hierarquia sacerdotal ou sacerdócio. Através dos ensinamentos espíritas pode-se fazer uma diferença entre religião propriamente dita e religiões no sentido de seitas humanas.

"Religião, para todos os homens, deveria compreender-se como sentimento divino que clarifica o caminho das almas e que cada espírito aprenderá na pauta do seu nível evolutivo. Porém, na inquietação que lhes caracteriza a existência na Terra, os homens dividiram-se em numerosas religiões como se a fé também pudesse ter fronteiras." (Chico Xavier)

Em vez do culto temos a prece que é o mais belo dos diálogos, o mais intimo, o mais simples e, ao mesmo tempo, o mais sublime. Pela prece sincera pensamos em Deus numa evocação de pedido, de agradecimento ou de glorificação.

A história da ideia de Deus mostra-nos que ela sempre foi relativa ao grau de intelectualidade dos povos e de seus legisladores. Na Antiguidade Júpiter empunhava o raio, Apolo conduzia o Sol, Neptuno senhoriava os mares. Mas, se de um lado a ignorância havia humanizado Deus, a Ciência confere-lhe dimensão mais inteligente e, portanto, mais próxima dos atributos da divindade.

Racionalmente não é possível admitir um efeito sem causa. Olhando o Universo imenso, a ordem e harmonia a que obedece a marcha dos mundos inumeráveis, olhando ainda o seio da Natureza, o Reino vegetal e os minerais, com suas admiráveis variedades, sondando também o mundo microscópico com incontáveis formas unicelulares, toda essa imensidão, profusão e beleza nos obriga a crer em Deus como causa necessária. O feto não pode conhecer a dimensão de quem lhe dará a luz, da mesma forma que o Homem é incapaz de perceber Deus na sua divina essência. Mesmo depois da morte, dispondo de faculdades perceptíveis, menos materiais, não pode ainda o espírito imperfeito perceber totalmente a natureza divina. Como o recém nascido, precisará crescer e evoluir para, aos poucos, adquirir entendimento. No estágio evolutivo em que se encontra é pelo sentimento, mais do que pelo raciocino, que o Homem pode compreender a existência de Deus.

Allan Kardec colocou, logo no início de O Livro dos Espíritos, um capítulo que trata exclusivamente de Deus. Com isso pretendeu significar que o Espiritismo tem na existência de Deus o seu princípio maior.

"Os seres que se manifestam designam-se a si mesmos pelo nome de espíritos e dizem, alguns pelo menos, que viveram como homens na Terra. Os principais ensinamentos que eles nos transmitiram:
Deus é eterno, imaterial, imutável, único, todo poderoso, soberanamente justo e bom. Este é o melhor conceito que a nossa limitada inteligência pode fazer Daquele que criou o Universo.

O Universo compreende todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais. Os seres materiais constituem o mundo visível ou corporal e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita. O mundo espírita é o mundo normal, primeiro, eterno. O mundo corporal é secundário. Poderia deixar de existir ou nunca ter existido, sem alterar a essência do mundo espírita. Os espíritos revestem temporariamente um invólucro material, perecível e a sua destruição pela morte nos devolve à liberdade. Entre as diferentes espécies de seres corporais Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos espíritos que chegaram a um certo grau de desenvolvimento. A alma é um espírito que encarnou e, portanto, um ser imaterial e individual que reside em nosso corpo e a ele sobrevive. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível. Ao revestir temporariamente o invólucro carnal, a alma adquire as condições materiais para se purificar e se esclarecer. A união da alma com o corpo começa na concepção, mas só se completa com o nascimento.

O Homem tem, assim, duas naturezas: pelo corpo participa da natureza dos animais dos quais possui os instintos; pelo mesmo princípio vital, pela alma participa da natureza dos espíritos. O perispírito é uma espécie de laço semi-material que une corpo e espírito. É preciso que seja assim para que os dois possam comunicar-se um com o outro. A morte é a destruição da parte mais grosseira. O espírito conserva o corpo etéreo, invisível para nós no seu estado normal, mas que ele pode tornar eventualmente visível e mesmo tangível, como se verifica nos fenómenos de aparição. O espírito não é, portanto, um ser abstracto que só o pensamento pode conceber. É um ser real e definido.

As diferentes reencarnações ou existências corpóreas do espírito são sempre progressivas e jamais regressivas. Mas a rapidez do seu progresso depende dos esforços que ele faça para chegar à perfeição. A vida terrena será, assim, uma espécie de escola em que os alunos, embora nunca regridam a séries anteriores, são obrigados a repetir o ano até compreenderem o que lhes foi ensinado. Sem as sucessivas provas das vidas corporais não haveria justiça, por isso todos contamos com muitas existências. O principal objectivo da reencarnação reside no melhoramento progressivo da humanidade."

A influência dos espíritos sobre os nossos pensamentos e actos é indiscutível. Pensar é vibrar, é entrar em relação com o universo espiritual que nos envolve. Conforme as emissões mentais de cada ser, os espíritos poderão colaborar com ele em seus esforços de progresso ou conduzi-lo à sua ruína. Nada mais natural que se consiga harmonia e felicidade quando a emissão mental for equilibrada e positiva ou infortúnio e aflições se o pensamento for desequilibrado e doentio.

A força e o trabalho da mente estão na base de todas as transformações pessoais e colectivas da humanidade porque nós, indivíduos e povos, realmente evoluímos em profunda comunhão telepática com todos aqueles espíritos encarnados ou desencarnados que se afinam connosco.
A sobrevivência da alma e a possibilidade dos espíritos se comunicarem está amplamente demonstrada pelos factos espíritas, investigados com todo o rigor científico por numerosos e iminentes sábios e investigadores do século passado e deste século. A proibição moisaica de invocar os mortos já não se justifica em nossos dias.

O intercâmbio espiritual ou mediúnico praticado pelo Espiritismo, faz-se pelo predomínio da razão e da ciência e tem como principal finalidade a elevação espiritual e o aperfeiçoamento dos espíritos encarnados e desencarnados, com base nos sentimentos de solidariedade e de  fraternidade. Assim, a prática mediúnica bem orientada é um factor de progresso humano, pelos benefícios que produz, tanto no mundo invisível, quanto no mundo material.  

Repelir as comunicações dos espíritos é repudiar o meio mais poderoso de instruir-se pela iniciação nos conhecimentos da vida futura. Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos espíritos é, por esse facto, médium. Essa faculdade é inerente ao ser humano, não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Atraímos os espíritos que se afinam connosco, tanto quanto somos por eles atraídos. Quando desenvolvido o dom mediúnico, que gratuitamente recebemos de Deus, deve ser utilizado gratuitamente. O médium de elevados princípios morais, que encontra na vivência evangélica a sua conduta de vida, cumpre o exercício da mediunidade com trabalho e paciência e a ele se dedica exclusivamente por amor. Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para diferentes fenómenos. Os tipos de mediunidade são tão variados quantas são as espécies de manifestações. A escrita manual é o mais simples e o mais completo meio de comunicação. É por esse meio que os espíritos revelam melhor a sua natureza e o grau do seu aperfeiçoamento ou de sua inferioridade.

"Os espíritos evoluídos ensinam-nos que o ser humano que se liberta da matéria por não priorizar as futilidades mundanas e por cultivar o amor ao próximo, aproxima-se da natureza espiritual. A moral dos espíritos superiores resume-se, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: fazer aos outros o que queríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontramos uma regra universal de proceder, mesmo para as nossas menores acções. Cada um de nós deve tornar-se útil, segundo as faculdades e os meios que Deus nos colocou nas mãos para nos provar. Eles nos ensinam, também, que não há faltas ou erros irreparáveis. O ser humano encontra o meio necessário, nas diferentes existências, para avançar segundo o seu desejo e os seus esforços em direcção à perfeição que é o seu objectivo final. 

Este é o resumo da doutrina espírita como ela aparece no ensinamento dos espíritos superiores. O Espiritismo, que apenas acaba de nascer, ainda é muito pouco compreendido na sua essência por grande número de adeptos, mas posso imaginar uma associação ou sociedade em que os seus componentes se reúnam com o propósito de se instruírem e não na expectativa de presenciarem fenómenos extraordinários, uma associação indissolúvel onde haja confiança mútua e recíproca benevolência, uma associação que exclua o constrangimento que nasce da susceptibilidade, do orgulho que se irrita à menor contradição e do egoísmo que só se interessa por si. Esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se, permutando observações, podem desde já formar o núcleo básico que um dia reunirá todas as opiniões, unindo os homens no mesmo sentimento de amor e de fraternidade cristã."

Assim, embora tenha previsto a possibilidade de as reuniões espíritas atraírem um número bastante elevado de participantes, Kardec aconselha que essas reuniões se multipliquem, de preferência através da constituição de grupos menores. Espalhados por todo o mundo, os centros espíritas constituem-se em abençoadas escolas. São centros de estudo, de fraternidade, de oração e de trabalho. Pelo volume de obras que realizam tornaram-se, também, verdadeiras instituições sociais e assistenciais que têm sempre presente o espírito do núcleo básico de que nos fala Kardec. Núcleo de amor onde o aperfeiçoamento individual é prioritário porque leva naturalmente ao aperfeiçoamento do grupo social e da humanidade.

Nosso sistema planetário não ocupa senão um ponto ínfimo no Universo, situado quase no final da Via Láctea, uma galáxia onde existem aproximadamente 40 bilhões de estrelas, algumas tão grandes que uma só toma o espaço igual ao ocupado pelo nosso Sol e quase todos os planetas em sua órbita. Uma das galáxias mais próximas, a nebulosa de Andrómeda, dista do nosso sistema solar cerca de 680 mil anos luz. Ora, se o Universo tem tais dimensões e se o número de planetas existentes conta-se pela ordem de trilhões ou mais, seria ingenuidade supor que apenas a Terra seja habitada por seres racionais.

Segundo o Espiritismo, nos mundos que gravitam no espaço infinito, outras humanidades em vários graus de adiantamento encontram habitação adequada ao seu avanço.

De entre os mundos inferiores encontra-se a Terra, com suas expiações e provas, com seus extremismos políticos, intolerâncias ideológicas, fanatismos religiosos e injustiças sociais. Aqui, os seus habitantes levam uma vida instável, de lutas e trabalhos penosos, com mais momentos de infelicidade do que de alegria.

A época actual é de transição, é a época em que convivem os espíritos de vários níveis de adiantamento. Assistimos à partida de uns e à chegada de outros. A evolução é contínua. Em cada criança que nascer, em vez de um espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um espirito mais adiantado e propenso ao bem.

Por meio do trabalho ético e humanitário, combatemos os nossos orgulhos e egoísmos. Por meio do diálogo superamos as nossas diferenças. Por meio da solidariedade pomos em prática o ensino do Cristo, de amor ao próximo.

Este é o destino imediato da Terra, planeta de regeneração.

Continuando no seu progresso ininterrupto, a Terra e sua humanidade ascenderão a planos cada vez mais altos, até à perfeição a que todos os mundos e seres estão predestinados.


Adaptação do filme “O Espiritismo de Kardec aos nossos dias”, baseado na obra de Allan Kardec,  acedido em  http://www.youtube.com/watch?v=r-jZTGLXyN8, dividido em seis partes,  com Direcção de Marcelo Taranto, Produção de Alberto Graça e Francisco Azevedo, e Realização da FEB-MPC e Associados)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Missão do Homem inteligente na Terra

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus


Os homens cultos e inteligentes, segundo o mundo, fazem geralmente tão elevada opinião de si mesmos e de sua própria superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de sua atenção. Preocupados somente com eles mesmos, não podem elevar o seu pensamento a Deus. Essa tendência a se acreditarem superiores a tudo leva-os muito frequentemente a negar o que, sendo-lhes superior, pudesse rabaixá-los, e a negar até mesmo a Divindade. E, se concordam em admiti-la, contestam-lhe um dos seus mais belos atributos: a acção providencial sobre as coisas deste mundo, convencidos de que são suficientes para governá-lo. Tomando sua inteligência como medida de inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem admitir como possível aquilo que não compreendem. Quando se pronunciam sobre alguma coisa, seu julgamento é para eles inapelável. 
Se não admitem o mundo invisível e um poder extra-humano , não é porque isso esteja fora do seu alcance, mas porque o seu orgulho se revolta à ideia de alguma coisa a que não possam sobrepor-se, e que os faria descer do seu pedestal. Eis porque só têm sorrisos de desdém por tudo o que não seja do mundo visível e tangível. Atribuem-se demasiada inteligência e muito conhecimento para acreditarem em coisas que, segundo pensam, são boas para os simples, considerando como pobres de espírito os que as levam a sério.

Entretanto, digam o que quiserem, terão de entrar, como os outros, nesse mundo invisível que tanto ironizam. Então os seus olhos se abrirão, e reconhecerão o erro. 
(...)

"Não vos orgulheis por aquilo que sabeis, porque esse saber tem limites bem estreitos, no mundo que habitais. Mesmo supondo que sejais uma das sumidades desse globo, não tendes nenhuma razão para vos envaidecer. Se Deus, nos seus desígnios, vos fez nascer num meio onde pudestes desenvolver a vossa inteligência, foi por querer que a usásseis em benefício de todos. Porque é uma missão que Ele vos dá, pondo em vossas mãos o instrumento com o qual podeis desenvolver, ao vosso redor, as inteligências retardatárias e conduzi-las a Deus. A natureza do instrumento não indica o uso que dele se deve fazer? A enxada que o jardineiro põe nas mãos do seu ajudante não indica que ele deve cavar? E o que direis se o trabalhador, em vez de trabalhar, erguesse a enxada para ferir o seu senhor? Direis que isso é horroroso, e que ele deve ser expulso. Pois bem, não se passa o mesmo com aquele que se serve da sua inteligência para destruir, entre os seus irmãos, a ideia da Providência? Não ergue contra o seu Senhor a enxada que lhe foi dada para preparar o terreno? Terá ele direito ao salário prometido, ou merece, pelo contrário, ser expulso do jardim? Pois o será, não o duvideis, e arrastará existências miseráveis e cheias de humilhação, até que se curve diante d'Aquele a quem tudo deve.
A inteligência é rica em méritos para o futuro, mas com a condição de ser bem empregada. Se todos os Homens bem dotados se servissem dela segundo os desígnios de Deus, a tarefa dos [bons] Espíritos seria fácil, ao fazerem progredir a Humanidade. Muitos infelizmente, a transformam em instrumentos de orgulho e de perdição para si mesmos. O Homem abusa de sua inteligência, como de todas as suas faculdades, mas não lhe faltam lições, advertindo-o de que uma poderosa mão pode retirar-lhe o que ela mesma lhe deu."


Ferdinando
(Espírito protector, Bordeaux, 1862)


In: KARDEC, Allan - O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. J. Herculano Pires. Lisboa, CEPC, 1997

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Lembrai o que Jesus falou, e esclarecei todas as coisas, eis a vossa tarefa inadiável.

"Espíritas, levantai-vos em defesa da Verdade!...

Amigos e Companheiros
As horas difíceis que a Terra atravessa pedem aos espíritas mais acção e mais dedicação à Causa que abraçamos.
Por toda a parte se espalham os ideais materialistas, ainda que muitos sob a capa religiosa. Os bens materiais fazem parte da vida hodierna e os homens não têm tempo para reflectir sobre os caminhos que precisam de trilhar, quando a crise de valores se espalha a um ritmo alucinante.
Saúde e cultura, pilares de uma sociedade contestatária, não reflectem as verdadeiras necessidades dos homens do nosso tempo. Saúde para todos não passa de triste ilusão, quando a doença alastra por toda a parte e vitima crianças, jovens e idosos, homens e mulheres, sem distinção de credos ou raças.
Espíritas, levantai-vos em defesa da Verdade!...
Espíritas, atentai na sublime missão que vos foi outorgada, de libertar consciências e erradicar a ignorância que viceja por detrás da cultura materialista.
A educação, preocupação insistente dos cidadãos e seus governantes, não passa de instrução bem débil, num debitar de conhecimentos que se desvanecem com o tempo, pois tomados no exercício do facilitismo, de forma vaga e imprecisa.
De facto, a sabedoria feita do exercício prático desses conhecimentos, raramente se apresenta ao serviço das sociedades, que não encontram a direcção do cume evolutivo em Espírito e Verdade.
É hora de agir disseminando o conhecimento espiritual no seio da Educação terrena, nos campos do ensino e da saúde.
Espíritas, debruçai-vos sobre a realidade da Saúde espiritual, da Terapia espiritual, imprescindíveis à qualidade de vida que falta nas preocupações dos agentes da Medicina materialista.
As reuniões de assistência espiritual no tratamento físico são, por isso mesmo, de importância capital, pois que efeitos surgirão que surpreenderão aos agentes da saúde que, tarde ou cedo, irão recorrer a esse complemento fundamental para o exercício das suas missões.
Da mesma forma, a disseminação da cultura espírita será capital para que a educação abranja as facetas primordiais da espiritualização da vida, direccionando a Investigação Científica para a busca da Vida espiritual.
A vós, pois, competirá trabalhar afincadamente, primeiro no estudo, na busca da racionalidade das vossas actividades, no discernimento sobre os vossos conhecimentos. E isso porque precisais de colaborar na difusão e divulgação da Doutrina, preparando o despertar racional daqueles com quem conviveis. Depois agindo, dando testemunho publico da vossa crença, estribada no exercício da razão.
Aproximam-se as horas do testemunho. A Terra prepara-se para as grandes transformações. Aí estão já os primeiros sinais, que se multiplicarão de forma inusitada.
Finalmente agi, trabalhai, saí sem medo a espalhar a Boa Nova, explicando-a em seus contornos incompreensíveis para a maioria daqueles que vos rodeiam.
Lembrai o que Jesus falou, e esclarecei todas as coisas, eis a vossa tarefa inadiável. Estamos convosco aqueles que o Senhor incumbiu de trilhar os caminhos da Nova Igreja da Humildade.
Nossa Instituição vai crescer, apesar de incautos companheiros que se deixam envolver em questões menores.
Por isso, espíritas companheiros, vigiai, vigiai vossos sentimentos, controlai vossos pensamentos, reprimi tendências menos próprias dos discípulos do Senhor, e marchai, marchemos juntos nos caminhos difíceis do futuro.
Nossos trabalhos ganharão novas facetas. Estamos trabalhando afincadamente, certamente convosco, para que a Luz do Alto se espraie à nossa volta, alastre em todas as direcções, e contribua para uma mudança significativa das mentalidades dos subjugados ao materialismo.
Precisamos da vossa colaboração, e garantimos que colaboraremos convosco. Juntos triunfaremos nessa Seara Bendita de Jesus.
Caminhai firmemente, meus irmãos.
Com Jesus ao leme, as Caravelas galgarão sobre as ondas deste mar encapelado.
Em nome da Equipa que somos, deste lado da vida, desejamos abraçá-los fraternalmente e envolvê-los em paz e harmonia.
Vosso Irmão
                   Sousa Martins
(psicografia de A.C. em reunião mediúnica de 16/06/2011)

(In: Jornal Espírita. Mensário de divulgação Filosófica, Científica, Moral e Religiosa. Julho 2011. Director Arnaldo Costeira. Prop. e Ed. União Espírita Cristã (Rua Allan Kardec, nº1, Bairro da Amizade, Rio de Loba 3505-465 Viseu).

quinta-feira, 23 de junho de 2011

'A prece como medicamento para Depressão'

Um dia desses, percorrendo os corredores desta Casa Espírita, encontrei contigo. No curto espaço de tempo em que nossos passos se emparelharam prestei atenção em teu olhar. Um olhar desesperançado, sem brilho, diferente dos olhos daqueles que amam. Parecias vazio de ti mesmo.

Preocupado, passei a te observar mais de perto buscando sondar tua alma. Não precisou muito para que eu descortinasse aquilo que estava por trás de teu pálido sorriso e das atitudes que buscam mascarar a tristeza. Por isso lembrei os Salmos de David e em especial o de número 77 que assim está registado:

Clamei ao Senhor com a minha voz e ele inclinou para mim os ouvidos. No dia da minha angústia busquei ao Senhor; minha mão se estendeu de noite e não cessava, a minha alma recusava ser consolada; sustentaste os meus olhos vigilantes; estou tão perturbado que não posso falar.

Através do Salmo 88, David mais uma vez clamou:

Senhor, Deus de minha salvação, de dia e de noite clamo diante de ti. Chegue à Tua presença minha oração, presta ouvidos ao meu clamor! Pois minha alma está saturada de desgraças (...)
Mas, eu clamo por socorro; de manhã minha oração já está diante de Ti. Senhor, porquê rejeitar-me, esconder-me a tua face? Sou infeliz e enfermo desde criança.

Lembrei os Salmos de David porque, não obstante a beleza de seus versos, existe uma tristeza latente, a mesma tristeza que se percebe naqueles que têm a alma doente. Bem por isso se diz que a primeira notícia que se tem da tristeza da alma foi publicada na Bíblia, mais especificamente nos Salmos de Lamentação de autoria do Rei David. No tempo do rei David não existiam os recursos médicos de hoje e ele atravessava as noites escuras de sua alma orando a Deus em forma de versos que chamamos de salmos.

Sabemos que o crescimento desordenado dessa tristeza que invade nossos sentimentos e emoções produz o câncer da alma ou aquilo que modernamente se nomeia depressão.

Em nossos dias, o depressivo percorre os consultórios médicos e divãs de analistas acreditando que tal medida é suficiente para a cura do câncer da alma. Toma remédios, frequenta o consultório do psicólogo e deixa na mão de tais profissionais toda a responsabilidade de sua cura, sem participar pessoalmente da faxina interior para remoção dos entulhos que impedem a entrada da alegria em seu coração. É tão pouco o que faz por si mesmo que nos leva a concluir que tanto o psiquiatra quanto o psicólogo não podem fazer milagres, pois, o paciente não os ajuda.

Que faz o paciente depressivo para ajudar os profissionais da saúde a lhe devolverem a alegria, além de tomar a medicação prescrita e falar de maneira superficial o que lhe aperta o coração? Digo superficial, pois, a grande maioria deixa de contar aos profissionais que lhe assistem tudo aquilo que vem vivenciando, por vergonha, orgulho e desconhecimento de si, de seu próprio interior.

Para debelar a depressão, sabemos disso, precisamos vencer uma árdua batalha onde se torna muito necessário o concurso da fé e da razão.

A fé e a razão são duas asas através das quais nosso espírito alça vôo ao encontro da verdade. Se observarmos um pássaro veremos que o mesmo jamais poderá levantar vôo com uma asa só. Assim, para livrar-se da depressão, o homem, além da medicação prescrita pelos técnicos da saúde necessita encontrar a verdade e a si mesmo. Usando corretamente a fé e a razão, os homens se descobrem, se perdoam e encontram o sentido para existirem e se realizarem.

A fé é o ato de aquiescer, de concordar, de aceitar algo que não é evidente, que não está expresso com clareza, mas, que é racionalmente aceite. Desse modo, de forma racional podemos aceitar que não temos capacidade para criar aquilo que está na natureza, como um belo por de sol, uma árvore, um animal, o homem. Tendo fé, acreditamos que algo maior nos criou e que esse algo maior é Deus.

A razão e a fé precisam, pois, andar juntas uma vez que aquilo que a razão humana não consegue compreender e que se afigura como mistérios, a fé se infiltra como uma luz que clareia e passa a orientar o homem, esclarecendo-lhe as respostas que não compreendidas racionalmente. Desse modo, não basta crer de maneira cega, pois, é necessário que se compreenda a fé.

A fé, irmão, precisa também ser exercitada. Nos momentos em que a alma fizer a travessia por sua noite escura, se o homem fizer seus apelos a Deus, assim como David fazia seus salmos, com toda a certeza sentirá o conforto Divino produzido pela prece. Não existe medicamento melhor para a alma do que a prece dirigida a Deus, conforme se lê no O Evangelho segundo o Espiritismo , cap. XXVIII, item 77, p. 430:

"A par da medicação ordinária, elaborada pela Ciência, o magnetismo nos dá a conhecer o poder da ação fluídica e o Espiritismo nos revela outra força poderosa na mediunidade curadora e a influência da prece.”

Voltando a David, observamos através da leitura de seus salmos que quando ele superava sua melancolia escrevia salmos de louvor, de ação de graças e lindos hinos celebrando a majestade de Deus, conforme o SALMO 23 de sua autoria que aqui quero te deixar para que repasses àqueles que vivenciam a noite escura da alma ensinando-lhes a buscar o aconchego de Deus:

O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes,
restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome.
Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estás comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.
Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos. Derramais o perfume sobre minha cabeça, e transborda minha taça.
A vossa bondade e misericórdia hã- de seguir-me por todos os dias da minha vida. E habitarei na casa do SENHOR por longos dias.

Com amor,
Irmão Y 

IN: Rede Amigo Espírita: divulgar, instruir e unificar. "A prece como medicamento para a depressão" por  Liudmila Carla Pinheiro, 23 de Junho de 2011.


sábado, 18 de junho de 2011

A Biblia e o Espiritismo: novos horizontes do futuro

Numa pesquisa fácil e rápida através da Internet (tão ao gosto dos tempos que correm...) poderemos retirar as seguintes noções:

Bíblia (do grego βίβλια, plural de βίβλιον, transl. bíblion, "rolo" ou "livro") é o texto religioso de valor sagrado para o Cristianismo, onde a interpretação religiosa do motivo da existência do homem na Terra sob a perspectiva judaica é narrada por humanos (mas considerada pela Igreja como divinamente inspirada).
 (IN: Wikipédia, a enciclopédia livre. http://pt.wikipedia.org/wiki/B%C3%ADblia. Acedido em 18-06-2001)

As Sagradas Escrituras são o conjunto dos livros escritos por inspiração divina, nos quais Deus se revela a si mesmo e nos dá a conhecer o mistério da sua vontade. Dividem-se em duas grandes secções: Antigo Testamento, que contém a revelação feita por Deus antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo ao mundo; Novo Testamento, que contém a revelação feita directamente por Jesus Cristo e transmitida pelos Apóstolos e outros autores sagrados. 
(In:  http://www.capuchinhos.org/biblia/index.php?title=P%C3%A1gina_principal. Acedido em 18/06/2011)


Os primeiros quatro livros do Novo Testamento são conhecidos como "evangelhos", porque relatam as boas novas (o sentido da palavra "evangelho") sobre Jesus.
(In: http://www.estudosdabiblia.net/bd75.htm . Acedido em 18/06/2011) 

As matérias contidas nos Evangelhos podem ser divididas em 5 partes:
  1. Os actos comuns da vida de Cristo
  2. Os milagres
  3. As profecias
  4. As palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja
  5. O ensino moral
De uma forma geral, podemos dizer que todo o mundo admira a moral evangélica. No entanto, poucos a conhecem a fundo e, menos ainda a compreendem e sabem tirar-lhe as consequências.

E por que razão isso acontece? 

Pelas dificuldades apresentadas na leitura do Evangelho, ininteligível para a maioria.
A forma alegórica, o misticismo intencional da linguagem, fazem com que a maioria o leia mais por desencargo de consciência e por obrigação. 
Assim, os preceitos de moral espalhados no texto, misturados com as narrativas, passam despercebidos.

Ora, a parte moral contida no Evangelho traduz-se num conjunto de regras de conduta que abrangem todas as circunstâncias da vida privada e pública, o princípio de todas as relações sociais. Trata-se, acima de tudo, do caminho infalível para a felicidade a conquistar, uma ponta do véu erguida sobre a vida futura. 

É esta parte que constitui o objecto da obra de Allan Kardec "O Evangelho segundo o Espiritismo". Nesta obra fundamental, reuniram-se todos os trechos que podem formar um código de moral universal, sem distinção de cultos.
Muitas passagens do Evangelho, da Bíblia, e de outros autores sagrados, são muitas vezes ininteligíveis, e muitas vezes parecem absurdas, por falta de uma chave que nos dê o seu verdadeiro sentido. Essa chave está inteirinha no Espiritismo.

O Espiritismo encontra-se por toda a parte, na antiguidade, e em todas as épocas da humanidade. Em tudo encontramos os seus traços, nos escritos, nas crenças e nos monumentos, e é por isso que, se ele abre novos horizontes para o futuro, lança também uma viva luz sobre os mistérios do passado.

Bibliografia:

KARDEC, Allan - O Evangelho segundo o Espiritismo. Lisboa : Centro Espírita "Perdão e Caridade", 1997. Edição Especial.


Sites da Internet referidos ao longo do texto.

sábado, 4 de junho de 2011

Mensagem de Emmanuel

Não raro encontramos, aqui e ali, os irmãos doentes por desajustes emocionais.
Quase sempre não caminham, arrastam-se.
Não dialogam, cultuam a queixa e a lamentação.
E provado está que, na Terra, a tensão emocional da criatura encarnada se dilata com o tempo.
Insegurança, conflito intimo, frustração, tristeza, desanimo, cólera, inconformidade e apreensão, com outros estados negativos da alma, espancam subtilmente o corpo físico, abrindo campo a moléstias de etiologia obscura, à força de se repetirem constantemente, dilapidando o cosmo orgânico.

Se consegues aceitar a existência de Deus e a prática salutar dessa ou daquela religião em que mais te reconfortes, preserva-te contra semelhante desequilíbrio.

Começa aceitando a própria vida tal qual é, procurando melhorá-la com paciência.

Aprende a estimar os outros como se te apresentem, sem exigir-lhes mudanças imediatas.

Dedica-te ao trabalho em que te sustentes sem desprezar a pausa de repouso ou o entretenimento em que se te restaurem as energias.

Serve ao próximo tanto quanto puderes.

Detém-te ao lado melhor das situações e das pessoas, esquecendo o que te pareça inconveniente ou desagradável.

Não carregues ressentimentos.

Cultiva a simplicidade evitando a carga de complicações e de assuntos improdutivos que te furtem a paz.

Admite o fracasso por lição proveitosa, quando o fracasso possa surgir.

Tempera a conversação com o fermento da esperança e da alegria.

Tanto quanto possível não te faças problema para ninguém, empenhando-te a zelar por ti mesmo.

Se amigos te abandonam, busca outros que te consigam compreender com mais segurança.

Quando a lembrança do passado não contenha valores reais, olvida o que já se foi, usando o presente na edificação do futuro melhor.

Se o inevitável acontece aceita corajosamente as provas em vista, na certeza de que todas as criaturas atravessam ocasiões de amarguras e lágrimas.

Oferece um sorriso de simpatia e bondade seja a quem for.

Quanto à morte do corpo, não penses nisso, guardando a convicção de que ninguém existiu no mundo sem a necessidade de enfrentá-la.

E, trabalhando e servindo sempre, sem esperar outra recompensa que não seja a bênção da paz na consciência própria, nenhuma tensão emocional te criará desencanto ou doença, de vez que se cumpres o teu dever com sinceridade, quando te falte força Deus te sustentará, e onde não possas fazer todo o bem que desejas realizar, Deus fará sempre a parte mais importante.


Tensão emocional / Emmanuel ; psicografia de  Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 31 de maio de 2011

Espiritismo: ciência e doutrina filosófica

Tendo aparecido numa época de emancipação e madureza intelectual, em que o homem queria saber o porquê e o como de cada coisa, o Espiritismo surgiu não só, através de um ensino directo, mas também como fruto do trabalho da pesquisa e do livre exame, deixando ao homem o direito de submeter tudo ao cadinho da razão. (1)

Pelo método aplicado na observação dos factos, pelas respostas que oferece às profundas indagações do espírito humano, com reflexos inevitáveis no modo de proceder das criaturas,  salienta-se que o Espiritismo é uma doutrina de tríplice aspecto: científico, filosófico e moral.

No livro O que é o Espiritismo, Allan Kardec diz-nos que “o Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações.”(2)

Os fenómenos mediúnicos, tão antigos quanto o ser humano na face da Terra, sempre chamaram a atenção para a realidade da vida espiritual. Todavia, foram sempre revestidos pelo carácter do maravilhoso e do sobrenatural, tão ao gosto das religiões primitivas e das tradicionais. De outras vezes, as manifestações dos espíritos eram explicadas como obra demoníaca, por princípios religiosos que persistem até hoje, desencorajando, e mesmo proibindo, através do poder religioso constituído, toda a pesquisa ou estudo que visasse esclarecer a causa dos referidos fenómenos. Foi necessário que o tempo passasse, que o homem amadurecesse e, como consequência, houvesse a libertação do conhecimento, para que a explicação racional desses factos pudesse ser encontrada.

No estudo dos fenómenos que concorreram para a elaboração do Espiritismo, Allan Kardec, da mesma forma que nas ciências positivas, aplicou o método experimental (indutivo). Não criou nenhuma teoria preconcebida e nem apresentou a priori como hipótese a existência e a intervenção dos espíritos, concluindo pela existência destes, quando ela foi evidenciada pela observação dos factos. “Não foram os factos que vieram a posteriori confirmar a teoria; a teoria é que veio subsequentemente explicar e reunir os factos.” (1)
Foi a partir dos fenómenos das mesas girantes que Allan Kardec iniciou a sua pesquisa, em busca da explicação para esse facto tão singular e de tantos outros compreendidos na fenomenologia mediúnica.

Nascia, assim, uma nova ciência que viria romper os vínculos de quaisquer resíduos mágicos e superstição, demonstrando a existência do princípio espiritual, as propriedades dos fluidos espirituais e a acção deles sobre a matéria.

Demonstrou a existência do perispírito - ou corpo espiritual - assinalado por diversos pensadores em várias épocas, reconhecendo nele o corpo fluídico da alma, mesmo depois da destruição do corpo físico. Esse invólucro é inseparável da alma, um dos elementos constitutivos do ser humano e o veículo de transmissão do pensamento. Serve de laço entre o espírito e a matéria.(1)

A parte experimental do Espiritismo está contida em O Livro dos Médiuns, editado em 1861, que, segundo Allan Kardec na apresentação da referida obra, “contém o ensino especial dos espíritos sobre a teoria de todos os géneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo”. (3)
Nessa obra, Kardec dá ênfase ao perispírito, elemento indispensável para a explicação da mediunidade e faz, também, um relato da evolução dos processos de comunicação com os espíritos, desde as mesas girantes até à psicografia, ou seja, a escrita através da mão do médium.

O Espiritismo, enquanto ciência, tem o seu objecto e o seu método.

O seu objecto centra-se nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos.
É uma ciência de observação.

O método científico, como é ensinado nas escolas, decompõe-se em várias fases:
1. Observação;
2. Formulação de hipóteses explicativas do fenómeno;
3. Segue-se a fase em que se testa experimentalmente a hipótese tida como reveladora
do mecanismo do fenómeno;
4. Enunciação da lei.

Quem estuda a história da codificação do Espiritismo, vai encontrar este percurso a ser percorrido por Kardec. Evidentemente que este tipo de fenómenos não é tão simples de pesquisar como uma experiência química processada em laboratório. Há que fazer adaptações. Os espíritos são pessoas sem corpo físico que têm a sua vontade própria e podem não estar dispostos a tentar as experiências que os  experimentadores pretendem fazer. A isto acresce a necessidade de se verificar todo um conjunto complexo de circunstâncias físicas, psicológicas e outras, para que o fenómeno possa ocorrer.

BIBLIOGRAFIA
1. Allan Kardec, A Génese, Cap. I, n.º 12 a 14 e 39, 13.ª Edição, Federação Espírita Brasileira
2. Allan Kardec, O que é o Espiritismo, Preâmbulo, 11.ª Edição, 1955, Federação Espírita
Brasileira
3. Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, Frontispício, 30.ª Edição, Federação Espírita Brasileira