A questão 922 do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, refere-se à forma de alcançar a felicidade terrena, nos seguintes termos:
"Para a vida material, a posse do necessário; para a vida moral, a consciência pura e a fé no futuro"
Um amigo meu, Orson Peter Carrara, numa entrevista dada a um canal de TV brasileiro, referia-se a certa altura a esta questão, de uma maneira muito sugestiva. Dizia ele que ela se pode traduzir numa equação matemática, da seguinte forma:
F = PN + CT + FF
sendo
F = Felicidade
PN = Posse do Necessário
CT = Consciência Tranquila
FF = Fé no Futuro
Nessa entrevista Orson fala de "Tensão emocional", livro que escreveu inspirado numa mensagem do mesmo nome, enviada pelo Espírito Emmanuel a Chico Xavier*.
A tensão emocional de que fala Orson P. Carrara é a causa dos desajustes emocionais. Estes estão na origem do aparecimento de doenças. "Ficar triste, ficar com raiva, ficar com medo, é normal, é humano. O grande problema está na manutenção desses sentimentos, porque esses sentimentos nos desajustam psiquicamente. Quando nos deixamos entristecer, abater, por dias seguidos, nós vamos baixando o nosso sistema imunológico e ficamos expostos aos vírus, bactérias, infecções, contágios. O desajuste da emoção provoca as doenças no corpo. Já é conhecido que a mágoa guardada é uma das causas dos tumores cancerígenos. A psicologia já trabalha com essas ideias, a medicina. O Evangelho recomenda o perdão. O não perdoar acorrenta-nos, amordaça-nos. Quem perdoa liberta-se, quem não perdoa fica preso aos pensamentos que molestam o corpo.
As adversidades da vida que causam as tensões, elas têm a função de fazer com que a gente amadureça. Então elas são úteis porque nos fazem crescer intelectual e emocionalmente. O grande detalhe está em saber administrar esses conflitos. A nossa imaturidade provoca o desespero, os ímpetos agressivos. Existem tensões que permanecem pelo tempo, por décadas, provenientes dos medos, do ciúme, da inveja, do rancor, do desejo de vingança, da mágoa guardada. Isto, se alimentado e guardado, gera doenças.
Emmanuel convida-nos a uma mudança de comportamento mental:
- viver com alegria;
- agir na senda do bem;
- esquecer ressentimentos;
- viver a vida de forma construtiva;
- trabalhar com alegria;
- não temer, confiar na vida...
Esta mudança de postura ajuda-nos a modificar o nosso panorama mental. A "prisão" a esses conceitos de desajustes é que nos maltrata. Ficamos doentes porque somos teimosos, precipitados, porque não confiamos.
Emmanuel veio dizer-nos que se aceitarmos a existência de Deus, preservamo-nos contra tais desajustes.
Por que nos esquecemos que somos filhos de Deus, ficamos com medo, entramos em desespero, desestabilizamos o equilíbrio que precisamos para viver.
Aceitar a vida como ela é, é um grande segredo para viver com harmonia. E é aqui que devemos aplicar a tal equação de que fala Orson, referindo-se à indicação sobre a felicidade terrena, transcrita no Livro dos Espíritos.
A consciência tranquila remete o individuo para uma felicidade real: a juventude passa num instante, o dinheiro muda de mão e a saúde também vai diminuindo com o tempo. A única coisa que permanece é a paz de consciência, que resulta de uma vida vivida com dignidade, com decência, com honestidade e com uma alta dose de motivação, como nos sugere Emmanuel.
Precisamos aprender a não ser demasiado exigentes connosco e com os outros, não colocar uma expectativa que não vai poder ser correspondida e aprender a compreender o outro. O outro e as diversas situações: eu posso não concordar com o outro, mas eu posso tentar compreendê-lo. Que autoridade ou competências temos nós para exigir transformações nos outros? Cada criatura é um universo em si, com as suas bagagens, com as suas experiências, apresentando reacções próprias resultantes das experiências que vivenciou nesta ou em outras encarnações.
Emmanuel vai construindo esse raciocínio de aceitação da vida, de uso da paciência diante das adversidades, utilizando-as como degraus de crescimento para que a gente aprenda a administrar esses conflitos interiores e viva com mais serenidade."
Emmanuel fala também da necessidade de repouso, não entendido como o tédio, o ficar em frente da televisão ou computador, um domingo inteiro. A mente fica vazia de ideias e não há nada mais propício para a "entrada" de ideias derrotistas, pessimistas, intrigantes, que vão minando a nossa serenidade.
Emmanuel ensina-nos a ter coragem para ser diferentes. Incentiva-nos ao exercício diário de aprendizagem para alcançar a paz de espírito que mudará, para melhor, a nossa maneira de ser e de estar na vida.
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*Esta mensagem e outras mais do Espírito Emmanuel encontra-se no livro intitulado Companheiro, editada pelo Grupo Espírita Mensageiros, de São Paulo.
*Veja também o livro "Tensão emocional" de Orson Peter Carrara
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