As grandes verdades da Espiritualidade Superior, sempre que são reveladas a uma certa população, sofrem de um efeito rotineiro: podemos chamar-lhe recuo evolutivo.
Na verdade, segundo a lei do progresso, nenhuma conquista do espírito, uma vez adquirida, se perde. Daí o itálico.
O recuo evolutivo deriva da média evolutiva de uma população determinada que, quando as verdades reveladas estão um tanto mais adiante da sua mentalidade, imiscui nessas novas ideias a sua ganga, as suas imperfeições, de tal forma que da verdade original resulta uma meia verdade.
Aconteceu com o Cristianismo e, provavelmente, acontece já com o Espiritismo. Será, talvez, a única forma de essas populações se associarem à revelação sem se afastarem totalmente dela. Em termos numéricos é uma meia perda e não uma perda inteira. Do mesmo modo não é uma conquista ou um passo adiante de forma plena, mas sim uma meia conquista ou um meio passo em frente.
Quando Jesus, no Evangelho, fala do Consolador ou Paracleto, dominava já muito melhor do que nós hoje, esse fenómeno do recuo evolutivo. Por isso disse que enviaria mais tarde o Consolador, que lembraria os ensinos Dele e adiantaria mais algumas ideias que na época seria inútil referir.
Surge, então, o Espiritismo e, como Allan Kardec define, reúne as características do tal Consolador. Deste modo, podemos afirmar que o Consolador é tudo o que nos é transmitido na Doutrina Espírita.
O Espiritismo, no dizer do próprio Allan Kardec, "é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações." Este será o tema da próxima mensagem.
Sem comentários:
Enviar um comentário